Enquanto a Câmara de Vereadores de Londrina não se manifesta definitivamente sobre o projeto que delega ao Município o gerenciamento dos serviços de água e esgoto, a Prefeitura caminha para mais seis meses de prorrogação emergencial de contrato com a Sanepar. O quinto decreto do gênero, desde dezembro de 2003 (veja quadro), foi assinado no último dia 29.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, minimizou não só a ausência de um posicionamento final da Câmara, bem como a nova prorrogação com a estatal. ''O prefeito está conversando com seu líder (o vereador Lourival Germano) e está a par do que a comissão que estuda o projeto está fazendo'', disse, referindo-se ao grupo de cinco parlamentares formado para coletar e propor sugestões de emendas à matéria, recebida pela Casa no passado. Hoje, a Câmara deve analisar o requerimento que solicita mais 30 dias úteis para término dos trabalhos e encaminhamento ao Plenário. O prazo inicial de 15 dias vence esta semana.
De acordo com Campos, ''a demora se justifica pela complexidade do projeto, que exige análise acurada e tranquila dos vereadores'', destacou, ''até pelas consequências que isso poderá trazer mais tarde''. Sobre a prorrogação de mais 180 dias com a Sanepar, o presidente da CMTU justificou que não muda absolutamente nada do que vinha sendo feito, mas que seria uma formalidade necessária para a execução e gerenciamento dos serviços de água e esgoto no município. ''O desejo é que tivéssemos avançado mais (no projeto), mas a Câmara tem velocidade própria'', resumiu.
O presidente da CMTU deixou claro que as prorrogações emergenciais não compensariam ao Município. ''Não nos é vantajoso, pois tudo permanece como está, especialmente no que diz respeito à tarifa, decidida ainda em Curitiba'', disse.
O presidente da Comissão Especial, Tercílio Turini (PPS), repetiu o discurso de complexidade do projeto para justificar o pedido de dilação de prazo a ser analisado hoje. ''Ainda não fechamos os pontos discutidos - inclusive temos uma reunião amanhã (hoje) cedo -, mas temos vários deles propostos'', comentou, citando entre as sugestões a fixação de metas e direitos do usuário no contrato a ser firmado. ''Nosso objetivo é que isso vá a Plenário ainda este ano'', estabeleceu o vereador. Sobre a nova prorrogação de seis meses, Turini se disse preocupado. ''Lá se vão mais de dois anos de decretos desse tipo. Mas é inegável que temos um abacaxi nas mãos para descascar.''

mockup