O secretário de Fazenda de Londrina, Francisco Simões, vai entregar hoje de manhã ao Ministério Público (MP) os extratos das contas do Conselho de Gestão Fiscal (Cogefi), órgão criado pelo prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido), para administrar os recursos da venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel. Simões vai entregar extratos das movimentações feitas no Banestado, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. ‘‘Existem coisas estranhas nessas contas, mas vou deixar para o Ministério Público’’, afirmou.
O MP investiga o uso dos recursos obtidos com a venda da Sercomtel no esquema de corrupção montado na Prefeitura de Londrina. A promotora Solange Novaes Vicentin já recebeu documentos remetidos pelo município sobre a movimentação do Cogefi, mas ainda não pôde analisar o material. Simões adiantou que os extratos mostram que em 99 houve um pagamento de R$ 12 milhões à Vega Ambiental, empresa que faz a coleta de lixo em Londrina. ‘‘Esperamos que seja referente à coleta de lixo’’, argumentou.
O ex-secretário de Fazenda de Londrina, Jair Gravena, nega que tenha ocorrido qualquer irregularidade com as contas do Cogefi e segundo ele, os R$ 12 mihões foram repassados à Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). ‘‘Não foi nem a prefeitura. Quando paga a Vega é pela AMA. Mas o Simões é quem precisa esclarecer essa situação’’, rebateu. Segundo ele, foram feitos vários repasses à Vega relativos ao parcelamento da dívida do município com a empresa. ‘‘Eu mesmo paguei quatro parcelas de R$ 1 milhão. Havia dívidas de 96 e 97 porque a Vega ficou dois anos sem receber’’, afirmou.
Ele disse ainda que em 4 de janeiro deste ano, a Vega emitiu uma notificação à prefeitura sobre uma dívida de R$ 7,1 milhão. Em 7 de julho, a empresa fez outra notificação, desta vez cobrando uma dívida de R$ 6,7 milhões. ‘‘A prefeitura ainda deve estar devendo uns R$ 5 milhões para a Vega. É só ele (Simões) levantar’’, insistiu o ex-secretário.
Gravena também afirmou que já encaminhou à Câmara e ao MP toda a documentação sobre o dinheiro do Cogefi. ‘‘Encaminhamos CPF, CGC, valor por secretaria, por atividade, por unidade geradora, nota de empenho, nome e serviço prestado’’, garantiu.
Segundo ele, o relatório foi tão discriminado que o vazamento de uma lista com diversos nomes resultou em mais de 300 processos contra a prefeitura. Uma fonte da Câmara, ligada ao vereador Tercílio Turini (PSDB), informou que os documentos enviados pelo município discriminavam o pagamento com o número da fonte e o nome do fornecedor, porém isso só ocorreu com a administração direta. No caso da administração indireta, como a AMA, não aparecia a discriminação do repasse que teria sido feito aos fornecedores. (L.R.)

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