Na melhor das hipóteses, a Prefeitura de Londrina vai fechar 2013 no vermelho. O deficit estimado é de R$ 25,7 milhões, mas poderá ser reduzido para R$ 4 milhões se o município conseguir contingenciar pelo menos 10% ou R$ 21 milhões em despesas programadas para o ano. Os números foram apresentados ontem pelo secretário de Fazenda, Paulo Bento, durante a sessão da Câmara.
Nos primeiros dias de gestão, o governo havia anunciado contingenciamento de quase R$ 70 milhões ou 30% das despesas, mas, a realidade demonstrou ser impossível ficar dentro do limite. ''Houve necessidade de abrir mão de parte do contingenciamento. Infelizmente com as dificuldades que enfrentamos, tivemos que abrir algumas coisas: CMTU, assistência social, obras'', afirmou Bento.
O orçamento de 2013 prevê R$ 650,7 milhões de receitas, mas, a Secretaria de Fazenda acredita que irá arrecadar somente R$ 624,9 milhões. ''O comportamento do recebimento não vem acompanhando o valor orçado'', explicou o secretário.
Em razão deste descompasso foi que a administração anterior, iniciada por Barbosa Neto (PDT) e encerrada por Gerson Araújo (PSDB), editou o Programa de Recuperação Fiscal (Profis) nos quatro anos. Para 2012, o deficit previsto em agosto era de cerca de R$ 50 milhões, mas o Profis arrecadou R$ 94 milhões.
Praticamente descartando um novo Profis para 2013, o secretário Paulo Bento disse que a única forma de não ''fechar no vermelho'' seria aumentar a arrecadação por meio de cobrança dos inadimplentes. ''A esperança nossa é não fechar com deficit. Nossa expectativa é insistir e melhorar o setor de cobrança.'' A estimativa do município é que o estoque de dívidas seja de R$ 1 bilhão, porém, somente cerca de 25% ainda seriam ''recebíveis''. ''Não é fácil nem receber estes 25%, mas temos que lutar para isso.''
Alguns vereadores, como Sandra Graça (PP) e Péricles Deliberador (PMN), pediram justamente mais eficiência no setor de cobrança. ''Há muitos casos de prescrição, em que o município leva mais de cinco anos para propor a execução judicial ou deixa o processo parado mais de cinco anos'', disse Deliberador, que atuava como advogado tributarista. Bento disse somente que ''os secretários estão conversando para buscar agilidade nos procedimentos da prefeitura''.
Outros vereadores manifestaram preocupação com o corte de despesas para áreas essenciais, como saúde, educação e assistência social, mas receberam a garantia do secretário de que o comitê gestor de despesas está sensível aos pedidos das pastas destas áreas.

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