Prefeitura paga servidores com desconto
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quinta-feira, 31 de março de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), assinou ontem o decreto 113/2005, determinando o depósito de R$ 6,1 milhões como adiantamento salarial aos 7.126 servidores da administração direta. O adiantamento foi feito em substituição à folha de pagamentos de março, de R$ 14,5 milhões, que deveria ter sido rodada ontem. Conforme a administração, a greve dos servidores, iniciada dia 7, teria impossibilitado o pagamento dos salários. Mesmo sendo um adiantamento, os servidores que aderiram à paralisação já terão descontados os dias parados.
Conforme o decreto, os trabalhadores em greve receberão 50% dos vencimentos enquanto os que não participaram do movimento deverão ter depositados 80% dos salários. ''Desde o início está sendo colocado que os dias parados seriam descontados'', disse o coordenador do Núcleo de Comunicação da Prefeitura, Ricardo da Guia Rosa.
Segundo o decreto, assinado pelo prefeito e pelos secretários Wilson Sella (Fazenda), Jacks Dias (Gestão Pública) e Adalberto Pereira (Governo), o adiantamento foi feito com base no vencimento líquido pago aos servidores em fevereiro. A frequência dos trabalhadores foi repassada pelos secretários. O decreto ainda prevê que eventuais diferenças nos valores deverão ser compensadas no salário de abril.
Os 1,3 mil aposentados e pensionistas da Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml), receberão os pagamentos integralmente. Segundo nota da Prefeitura, a remessa dos valores aos bancos foi feita ontem e o adiantamento deve ser liberado hoje.
O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), Marcelo Urbaneja, disse que irá recorrer à Justiça para garantir o pagamento integral dos salários. ''Vamos entrar na Justiça porque na realidade as faltas não podem ser consideradas neste período'', afirmou. Segundo Urbaneja, no pagamento de março deveria ser averiguada a frequência do servidor entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro. ''Ele (Nedson) não pode reter verba salarial nossa sendo que naquele período não tivemos falta. Existe aí uma discordância e quem vai resolver é a Justiça.''
Ontem, Urbaneja e o presidente da Comissão de Trabalho formada na Câmara de Vereadores para intermediar as negociações, Luiz Tamarozzi (PTB), encaminharam ao prefeito uma nova proposta de acordo. A proposta contém os mesmos itens do documento assinado por Nedson e Urbaneja no dia 24, que prevê o acompanhamento da receita e a negociação dos dias parados, adicionando a concessão de um abono de R$ 140 aos trabalhadores.
Através do Núcleo de Comunicação, a administração praticamente descartou a possibilidade de acordo. ''Novamente entra um item de abono que implica em impacto financeiro e como tal, a resposta é a mesma dada anteriormente. Representa um impacto na folha e a prefeitura não tem como assumir o compromisso.'' A reportagem não conseguiu localizar os secretários citados. Nenhum deles atendeu as ligações.


