Mesmo comprando direto do produtor, a Prefeitura de São Paulo pagou mais pelo quilo da coxa e da sobrecoxa de frango usada na merenda escolar do que o consumidor comum pagou no varejo. De agosto de 1996 a fevereiro deste ano, a Prefeitura comprou no atacado 824,5 mil quilos dos dois cortes ao preço de R$ 1,73 o quilo, segundo declarações do prefeito Celso Pitta (PPB). No mesmo período, o preço médio no varejo foi de R$ 1,66, de acordo com os indicadores avícolas ao consumidor divulgados pela União Brasileira de Avicultura (UBA).
Pela tabela de acompanhamento da UBA, o preço do quilo da coxa e da sobrecoxa no varejo variou de R$ 1,20 a R$ 2,00 nos sete meses em que a Prefeitura efetuou a compra de coxas e sobrecoxas para merenda escolar da empresa A’Doro, de propriedade de Fuad Lutfalla, cunhado do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB).
Na média, o quilo custava R$ 1,70 em agosto e R$ 1,77 em outubro. O preço subiu no mês de novembro para R$ 1,90 e em dezembro o quilo da coxa e sobrecoxa no varejo foi de R$ 1,75. Nos dois primeiros meses deste ano, o valor da mercadoria caiu ainda mais e passou para R$ 1,52 em janeiro e R$ 1,32 em fevereiro.
Embora as entidades representativas dos produtores façam segredo do lucro com a variação média do preço do frango do atacado ao consumidor, sabe-se que os valores praticados no varejo trazem embutida a margem de lucro e os custos operacionais, portanto são maiores. Além disso, o preço da coxa e sobrecoxa varia no próprio atacado de acordo com uma série de fatores como a quantidade encomendada, o prazo de entrega, a origem da matéria-prima e o tipo de embalagem.
Pesquisa feita pela reportagem na quarta-feita em cinco supermercados (Carrefour, Pão de Açúcar, Sonda, Bon Marché e Cândia) localizados nas Zonas Norte e Oeste da Capital, revelou que hoje é possível comprar no varejo um quilo de coxa e sobrecoxa por R$ 1,38. O valor é R$ 0,35 inferior ao preço médio pago pela Prefeitura durante sete meses.
O Ministério Público Estadual (MPE) está investigando a hipótese de superfaturamento na compra de frango pela Prefeitura. Investigações preliminares feitas pelo promotor de Justiça Alexandre de Moraes indicam que a Prefeitura pagou mais pelo quilo da coxa e sobrecoxa do que a rede de supermercados Pão de Açúcar, por exemplo.
De agosto do ano passado a fevereiro deste ano, a Pão de Açúcar pagou de R$ 1,15 a R$ 1,50 ao produtor pelo quilo dos dois cortes da carne. O promotor espera receber até amanhã (08) o levantamento de custos de outras três redes de supermercados (Carrefour, Barateiro e Macro) e de quatro produtores (Perdigão, Ceval, Dagranja e Chapecó) para elaborar uma planilha comparativa de custos.

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