Prefeitura lança nova ofensiva contra mocós no centro de Londrina
Operação Choque de Ordem, da Guarda Municipal, foi retomada nesta quarta (9) e visou dois pontos de tráfico de drogas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de abril de 2025
Operação Choque de Ordem, da Guarda Municipal, foi retomada nesta quarta (9) e visou dois pontos de tráfico de drogas
Douglas Kuspiosz - Reportagem Local 

A Prefeitura de Londrina, por meio da GM (Guarda Municipal), lançou uma nova ofensiva nesta quarta-feira (9) contra os mocós da área central da cidade. É a retomada da Operação Choque de Ordem, que foi uma das primeiras ações da gestão do prefeito Tiago Amaral (PSD) para fiscalizar imóveis abandonados e combater o tráfico de drogas.
Nesta quarta, foram alvos da GM o pontilhão entre as avenidas Luigi Amorese e Brasília, na zona oeste, um imóvel na avenida Santos Dumont, na área central, e a mata do Marco Zero, onde foram apreendidos 34 pinos de cocaína, dez pedras de crack, três porções de maconha e uma quantia em dinheiro trocado.
A FOLHA acompanhou a ação na Santos Dumont. O local estava coberto de lixo, mas vinha sendo utilizado como moradia por algumas pessoas em situação de rua. Há marcas de um incêndio em um dos pavimentos inferiores e cheiro ruim em meio ao entulho.
De acordo com o secretário municipal de Defesa Social, Felipe Juliani, o intuito é intensificar as fiscalizações desses imóveis em Londrina. No caso do prédio da Santos Dumont, uma equipe da Defesa Civil esteve no local para fazer a interdição e há interesse da administração em colocar abaixo o imóvel. Juliani atendeu à imprensa na base da GM no Calçadão, que será inaugurada na próxima segunda-feira (14).
“Além do risco que a criminalidade traz para a região, tem também o risco daquele imóvel desabar em cima de quem está fazendo uso dele. Nosso trabalho vai ser intensificado nos próximos dias”, disse Juliani, que lembra que esses mocós são pontos de tráfico e, devido ao lixo, contribuem para a proliferação da dengue.
Sobre a ação no pontilhão, o secretário destacou o trabalho da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina), que retirou dois caminhões de lixo do local. A tendência é que outras pastas do município prestem apoio à Choque de Ordem, como as secretarias de Obras e de Governo, para derrubar os mocós - inclusive aqueles que são de propriedade do município.
“Estamos em um trabalho conjunto com as secretarias. Eu passo as demandas e eles vão me ajudar a trabalhar para a gente colocar no chão esses locais que trazem prejuízo à população”, ressaltando que o objetivo é demolir "o máximo de mocós possível".
APÓS RECOMENDAÇÃO
Em fevereiro, o MPPR (Ministério Público do Paraná), por meio da 24ª Promotoria de Justiça, e a DPE-PR (Defensoria Pública do Estado do Paraná) enviaram uma recomendação à Prefeitura de Londrina sobre as abordagens às pessoas em situação de rua no âmbito da Choque de Ordem. Um dos pedidos foi que a simples situação de rua não fosse usada para justificar as abordagens e que os pertences dessas pessoas não fossem retirados indevidamente.
Juliani disse que, em locais que são utilizados como abrigo ou moradia, “a gente não mexe”.
“Agora, na maioria das vezes é usado como ponto de parada para usar drogas. Como não é uma moradia, tem gente fazendo coisa errada naquele ambiente, ele vai ser combatido. Nós vamos colocar no chão esse imóvel, sim, nós não podemos tolerar essa bagunça na nossa cidade”, ressaltou.
PROJETO DE LEI
Questionado sobre a discussão do poder de polícia - e da possível nova nomenclatura da GM -, o secretário afirmou que o setor jurídico da Prefeitura está elaborando um projeto “para que a gente faça algo definitivo”. Na CML (Câmara Municipal de Londrina), o vereador Santão (PL) protocolou um projeto de lei para dar poder de polícia à GM, na esteira da decisão de fevereiro do STF (Supremo Tribunal Federal), que entendeu que os guardas municipais podem fazer policiamento urbano.
“Nós adoramos o nosso nome, somos guardas municipais, trabalhamos pelo bem da cidade e protegemos a população. Nós vamos continuar trabalhando dessa forma”, garantiu Juliani, que disse ter sido pego de surpresa pelo PL em tramitação. “Não sei em que pé está. Tenho que discutir com a Câmara para entender essa demanda, como ela foi criada… não passou por nós.”


