Prefeitura injetou verba na CMTU
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segunda-feira, 27 de novembro de 2000
Silvana Leão De Londrina 
A Prefeitura de Londrina injetou, no início deste ano, mais de R$ 800 mil em operação de integralização de capital na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Na ocasião foram comercializadas internamente ações da companhia, que é uma sociedade anônima de capital fechado. Porém o percentual de participação da prefeitura, que é de mais de 99% das ações, não teria sido alterado. O outro 1% pertence a acionistas minoritários.
O aumento de capital social da CMTU na época Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) foi revelado somente ontem por membros do Conselho de Administração da companhia, que disseram não ter conhecimento de uma possível venda de 7% das ações, como questiona o vereador Carlos Santa Rosa (PFL). Ele protocolou um pedido de informação junto ao prefeito Jorge Scaff (PSB) que será votado amanhã pela Câmara.
A Comurb foi criada em 93 para prestar serviços à prefeitura, seu único cliente. Desde o início do ano passado vem sendo investigada pelo Ministério Público, junto com a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), pelo desvio de pelo menos R$ 16 milhões dos cofres da prefeitura. A injeção de quase R$ 1 milhão feita na companhia em janeiro seria para cobrir dívidas contraídas junto ao município.
Segundo o vereador Sidney de Souza (PTB), um dos representantes do Legislativo no Conselho de Administração, o aumento de capital social foi proposto pela direção da CMTU. Com a operação, a companhia teria conseguido aumentar de pouco mais de R$ 600 mil para cerca de R$ 1,5 milhão seu capital.
O secretário de Fazenda na época e também acionista Jair Gravena disse ontem não poder confirmar estes valores. Afirmou apenas que a integralização por parte da prefeitura foi de mais R$ 800 mil. Após a operação, Gravena, que tinha aproximadamente 10 ações da CMTU, passou a deter mais de 400 ações, tornando-se o maior acionista minoritário.
A prefeitura integralizou a parte dela e os demais acionistas (nenhum dos entrevistados soube dizer exatamente quantos são, mas provavelmente entre 30 e 40) tiveram 30 dias para manifestar interesse na integralização. Os interessados pagavam proporcionalmente ao número de ações que tinham. Gravena explicou que pagou por aquelas a que tinha direito e ainda integralizou as outras que não tiveram interessados. Segundo ele, o investimento foi de pouco mais de R$ 700,00.
O ex-secretário admite que a CMTU hoje só dá prejuízo, mas afirmou que comprou as ações por acreditar no futuro da companhia. Bem administrada, ela pode se tornar uma Sercomtel. Enquanto tiver o maior número de ações, Gravena tem o direito de se auto-indicar ou indicar um nome para fazer parte do Conselho de Administração. Em julho, ele destituiu o jornalista Ayoub Hanna Ayoub do cargo de representante dos minoritários e indicou o secretário municipal de governo, Sidnei de Oliveira.
De acordo com Gravena, não há problema no fato de Oliveira ocupar os dois cargos. Ele é acionista e foi eleito em assembléia para representar os minoritários, afirmou. Cada membro do conselho recebe R$ 650,00 por reunião, realizada mensalmente.


