A Prefeitura de Londrina injetou, no início deste ano, mais de R$ 800 mil em operação de integralização de capital na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Na ocasião foram comercializadas internamente ações da companhia, que é uma sociedade anônima de capital fechado. Porém o percentual de participação da prefeitura, que é de mais de 99% das ações, não teria sido alterado. O outro 1% pertence a acionistas minoritários.
O aumento de capital social da CMTU – na época Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) – foi revelado somente ontem por membros do Conselho de Administração da companhia, que disseram não ter conhecimento de uma possível venda de 7% das ações, como questiona o vereador Carlos Santa Rosa (PFL). Ele protocolou um pedido de informação junto ao prefeito Jorge Scaff (PSB) que será votado amanhã pela Câmara.
A Comurb foi criada em 93 para prestar serviços à prefeitura, seu único cliente. Desde o início do ano passado vem sendo investigada pelo Ministério Público, junto com a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), pelo desvio de pelo menos R$ 16 milhões dos cofres da prefeitura. A injeção de quase R$ 1 milhão feita na companhia em janeiro seria para cobrir dívidas contraídas junto ao município.
Segundo o vereador Sidney de Souza (PTB), um dos representantes do Legislativo no Conselho de Administração, o aumento de capital social foi proposto pela direção da CMTU. Com a operação, a companhia teria conseguido aumentar de pouco mais de R$ 600 mil para cerca de R$ 1,5 milhão seu capital.
O secretário de Fazenda na época e também acionista Jair Gravena disse ontem não poder confirmar estes valores. Afirmou apenas que a integralização por parte da prefeitura foi de mais R$ 800 mil. Após a operação, Gravena, que tinha aproximadamente 10 ações da CMTU, passou a deter mais de 400 ações, tornando-se o maior acionista minoritário.
‘‘A prefeitura integralizou a parte dela e os demais acionistas (nenhum dos entrevistados soube dizer exatamente quantos são, mas provavelmente entre 30 e 40) tiveram 30 dias para manifestar interesse na integralização. Os interessados pagavam proporcionalmente ao número de ações que tinham.’’ Gravena explicou que pagou por aquelas a que tinha direito e ainda integralizou as outras que não tiveram interessados. Segundo ele, o investimento foi de pouco mais de R$ 700,00.
O ex-secretário admite que a CMTU hoje só dá prejuízo, mas afirmou que comprou as ações por acreditar no futuro da companhia. ‘‘Bem administrada, ela pode se tornar uma Sercomtel.’’ Enquanto tiver o maior número de ações, Gravena tem o direito de se auto-indicar ou indicar um nome para fazer parte do Conselho de Administração. Em julho, ele destituiu o jornalista Ayoub Hanna Ayoub do cargo de representante dos minoritários e indicou o secretário municipal de governo, Sidnei de Oliveira.
De acordo com Gravena, não há problema no fato de Oliveira ocupar os dois cargos. ‘‘Ele é acionista e foi eleito em assembléia para representar os minoritários’’, afirmou. Cada membro do conselho recebe R$ 650,00 por reunião, realizada mensalmente.

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