O atraso de mais de um mês da Prefeitura de Londrina para enviar à Câmara de Vereadores os projetos de lei de uso e ocupação do solo (zoneamento urbano) e plano viário, integrantes do Plano Diretor, tem um motivo: o texto depositado na Caixa Econômica Federal (CEF), tido como correto, continha inconsistências, informou uma fonte à FOLHA. As alterações sugeridas na 5ª Conferência do Plano Diretor Participativo, realizada em junho de 2010, não constavam do material depositado na Caixa. Era, portanto, um "texto intermediário", atualizado apenas até a 4ª Conferência.
As inconsistências foram descobertas pelo procurador jurídico, Zulmar Fachin. Diante disso, foi preciso que o procurador, o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), Robinson Borba, e o secretário de Governo, Paulo Arcoverde, pessoalmente, ouvissem as gravações da última conferência e fizessem as alterações.
No final do ano passado, o então presidente do Ippul, Nelson Brandão, denunciou publicamente possível fraude na transcrição do Plano Diretor, já que o texto encaminhado à Câmara em 2012 era diferente em pelo menos 20 artigos do que havia sido aprovado na conferência municipal de 2010.
Diante da denúncia, os vereadores decidiram arquivar o projeto e requisitaram à Corregedoria Geral do Município apuração da fraude e identificação dos eventuais responsáveis. Apenas neste mês – no último dia 11, a Corregedoria instaurou sindicância para apurar o fato. As "inconsistências" do texto da Caixa poderão ser alvo da sindicância.
A investigação será presidida pela corregedora-adjunta Silvely Maria Villela Gazola. Um funcionário do Ippul foi indicado para auxiliar os trabalhos. "A corregedora poderá requisitar documentos, ouvir testemunhas e fazer a apuração da forma que lhe parecer mais adequada", explicou o corregedor-geral Alexandre Trannin. O prazo para concluir a sindicância é de 180 dias.
O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) deve conceder hoje uma entrevista coletiva sobre o assunto.

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