A administração de José Roque Neto (PTB) é interina, mas já consome do erário municipal, só em cargos de confiança - entre comissionados e conselheiros remunerados -, quase R$ 500 mil mensais. O número é um cálculo aproximado face aos 163 nomes fornecidos ontem à Câmara de Vereadores como resposta ao pedido de informações de Joel Garcia (PDT). Depois do segundo escalão, onde estão nomeados 60 postos a um custo mensal de mais de R$ 108 mil (os oito secretários custam mensalmente cerca de R$ 52 mil, dado o salário individual, bruto, de quase R$ 6,5 mil), a área em que os custos são mais volumosos é a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), com pouco mais de R$ 69,7 mil e 26 nomeações, sete delas de conselheiros. Entre os nomeados estão desde candidatos derrotados à Câmara, a indicações de vereadores não reeleitos e até parente de reeleito, como a nora de Renato Lemes (PRB). ''Não a indiquei. E o que vale é a competência, não é?'', indagou o pastor.
Em segundo lugar aparece a Sercomtel, com gastos acima dos R$ 67.705 distribuídos entre 12 cargos de diretores, assessores e conselheiros. O salário da diretoria é de R$ 15 mil, e o da Presidência, R$ 18 mil. Já no Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), dez postos ocupados dos 12 disponíveis representam, por mês, cerca de R$ 43 mil - sete desses postos, com o valor máximo aos comissionados (CC 01) de segundo escalão, R$ 4.581,10. Juntas, as nomeações comissionadas só das chefias de Acesf, Caapsml, Autarquia de Saúde e Fundação de Esportes - fora as assessorias desses órgãos, à exceção de Acesf e Caapsml - geram mais R$ 53.484 mensais aos cofres.
O único órgão da administração indireta a não fornecer os dados com detalhes foi a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que relacionou apenas os salários conforme os cargos. Só em diretorias, por exemplo, são mais de R$ 27.615. Os conselheiros, caso se reúnam apenas uma vez por mês (a remuneração é por reunião), consomem outros R$ 7.065 ao mês.
O autor do pedido criticou o que ele chama de ''critério de nomeação'' por parte do Executivo. ''É muita gente apadrinhada, de tio a genro de deputado, e pouca gente técnica. Pelo que vimos, esses nomes todos podem impactar até mais de R$ 800 mil, já que há ainda os encargos sociais que incidem sobre salários que já estão muito altos'', discursou. Para ele, a atual administração ''não está preparando a máquina para o próximo prefeito; a coisa tinha de estar mais azeitada''.
Por outro lado, ao ser indagado sobre que conduta teria a respeito das nomeações comissionadas em caso de um partidário dele - Barbosa Neto - ser o eleito à Prefeitura, o vereador, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), se contradisse: ''A gente até entende que se faça uma acomodação de forças políticas, mas aí é questão de pegar os melhores nomes, não parente de um ou de outro, e sem capacidade técnica''.
Chefe da pasta que protocolou a resposta ao pedido na Casa, o secretário de Governo, Tercílio Turini, evitou repercutir as declarações do parlamentar. ''Respondemos o pedido, não vamos entrar mais nessa polêmica: para nós, é assunto encerrado. Mas a se a Câmara tiver ainda alguma dúvida, responderemos.'' Indagado sobre os 163 cargos e a diferença de valores, conforme anunciado pela Prefeitura, na véspera, de acordo com o apurado pela FOLHA (em números da administração indireta), o secretário justificou que excedente se refere ''aos conselhos remunerados das empresas; talvez não tenham sido comentados, mas nem tudo passa por mim''.

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