Dois servidores municipais de Londrina que trabalharam diretamente com o ex-secretário de Gestão Pública Marco Cito, na administração Barbosa Neto (PDT), foram punidos com demissão porque teriam "contribuído para causar lesão ao erário", na ordem de R$ 1,1 milhão, ao "facilitar" a concessão de um aditivo irregular à empresa Proguarda. As supostas irregularidades praticadas pelos dois servidores estão descritas no relatório final do processo administrativo disciplinar aberto pela Corregedoria Geral do Município (CGM) no final de 2012 contra três funcionários do município. O corregedor adjunto Bernardo Luiz Domingos Fumio determinou a demissão dos então coordenadores de contrato Dênison Utiyamada e Elisângela Arduin. A terceira servidora, no entanto, teve o processo arquivado por falta de provas. Os servidores, contudo, ainda estão trabalhando normalmente porque entraram com um recurso ordinário.
Segundo a CGM, os servidores Elisângela e Dênison "agiram de modo a facilitar a formalização de um aditivo para a empresa Proguarda sem que houvesse análise técnica quanto aos requisitos necessários à sua concessão". A ordem para pagamento do sexto termo aditivo, que previa o "reequilíbrio financeiro" dos valores por conta do "aumento dos insumos" da empresa, teria partido do então secretário Marco Cito. No entanto, a Procuradoria de Políticas Locais opinou que fosse feita a "análise do pedido de reequilíbrio financeiro pelo gestor do contrato", que já tinha "endereçado à empresa manifestação contrária" ao pedido". O documento da procuradoria teria sido rasgado pelo servidor Dênison.
Elisângela ressaltou em sua defesa, anexada ao relatório, que "somente teve ciência de que o documento foi rasgado pelo servidor Dênison cerca de oito meses depois", e que somente seguiu ordens diretas de seu superior hierárquico, Marco Cito. Já Dênison alegou que "a aprovação do aditivo considerado ilegal não partiu dele e sim do então secretário de Gestão e da diretora de licitações e contratos, Elisângela". Atualmente Dênison está no setor administrativo da Secretaria de Educação e Elisângela está cedida à Caapsml. Nenhum dos dois foi localizado ontem pela reportagem.
O corregedor geral, Alexandre Trannin, afirmou que o conselho da corregedoria vai analisar os recursos dos servidores. "O conselho é formado pelo procurador-geral, que só vota em caso de empate, o corregedor-geral e dois adjuntos", explicou. Se a decisão do conselho ainda for pela demissão, há a possibilidade do recurso extraordinário, que é analisado pelo prefeito.
O caso Proguarda já foi investigado pelo Ministério Público (MP) do Paraná e gerou duas ações na Justiça – uma por improbidade administrativa, que tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública, e outra por peculato, que corre na 3ª Vara Criminal. A servidora Elisângela é ré nas duas ações. O servidor Dênison é réu na ação criminal, assim como a terceira servidora inocentada pela corregedoria, Ely Tieko Yoshinaga. Além dos servidores, constam como réus nas ações o ex-prefeito Barbosa Neto, o ex-secretário Marco Cito, o ex-procurador Fidélis Canguçu e a empresa Proguarda.

mockup