A Prefeitura de Londrina deve finalizar na próxima semana, para então encaminhá-lo à Câmara de Vereadores na forma de projeto de lei, o estudo para concessão de um ''incentivo à capacitação'' aos cerca de 2,6 mil professores da rede municipal. Conforme a Secretaria de Educação do Município, da análise deve sair um incremento de R$ 150 no salário dos docentes, ainda para este ano. Em 12 meses, são R$ 4,680 milhões.
De acordo com a secretária de Educação, Carmem Baccaro Sposti, o projeto de capacitação é iniciativa do Executivo, ou seja, de interlocução entre várias pastas - dentre as quais, as de Fazenda e de Gestão pública. O objetivo é garantir que os docentes da rede tenham mensalmente, no período de um ano, uma espécie de auxílio no salário para, por exemplo, participar de cursos ou projetos, assinar periódicos ou possuir internet rápida na residência. ''Seria o incremento das ferramentas de trabalho dos professores; essa reivindicação é antiga.''
Entretanto, Carmem negou que os R$ 150 mensais venham na forma de abono - benefício que, no caso das assistentes sociais, gerou aumentos de até 70% a alguns profissionais do setor. Gratificações também foram concedidas nos últimos anos a procuradores - 100% sobre os salários -, médicos e enfermeiros - entre 25% e 35% de adicional por responsabilidade técnica - e a 40 servidores de carreira da licitação (Gestão Pública), aos quais, ano passado, a Prefeitura disponibilizou adicional de R$ 800 nos salários.
''O programa incrementará renda, mas por um ano. Não sabemos se poderá ser incorporado depois ou não ao rendimento fixo, a exemplo do abono'', justificou Carmem, para quem na próxima semana o estudo, apreciado pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), já deve ser encaminhado para a Câmara.
Para o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv), Marcelo Urbaneja, os R$ 150 em estudo para a Educação sinalizam um aspecto, em certa medida, positivo. ''Para quem ganha o salário-base de R$ 680, é significativo. Para quem ganha R$ 1 mil, por exemplo, é 15% - só nessa gestão do sindicato, o acúmulo da inflação não paga é de 9% (mais 21% da diretoria passada)'', avaliou. Por outro lado, o dirigente se disse contrário à distruibuição localizada de benefício do gênero.
''No fim da greve de 2005 (de 31 dias, contra os 106 da greve de 2006) encaminhamos a proposta de abono de R$ 100, mas a toda a categoria - se o orçamento cresceu, por que não estendem isso para todo mundo? Estão fazendo é uma cortina de fumaça, uma válvula de escape, já que há pressão. Mas só assim não se resolve o problema da defasagem'', concluiu Urbaneja.

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