Pouco mais de duas horas de discursos e votações transformaram a paralisação de alerta do funcionalismo público de Londrina em greve por tempo indeterminado - a contar de ontem. A decisão foi aprovada em assembléia geral da categoria, em frente ao prédio da Prefeitura, por maioria de votos. Apesar de as informações à imprensa se desencontrarem, pelos cálculos do sindicato que representa os servidores, o Sindserv, foram pelo menos 3 mil participantes.
O funcionalismo reivindica a reposição das perdas salariais de cinco anos, acumuladas em 27%, além de alguns benefícios cortados pela administração municipal no fim do ano passado. Em março e abril de 2005, a categoria promovera paralisação de 31 dias - a primeira sob a gestão do prefeito Nedson Micheleti (PT), sem que nenhum item da pauta reclamada tivesse sido atendido pelo Executivo. A assembléia que definiu o fim do movimento, na ocasião, havia considerado um documento assinado por Nedson em que se comprometia a analisar e estudar os pontos de reivindicação.
Na assembléia de ontem de manhã, os discursos de sindicalistas foram intercalados com os de servidores - a maioria, favorável à paralisação por tempo indeterminado. Servidores também reclamaram de recentes bonificações que beneficiaram apenas alguns grupos, como o abono de R$ 800 para 40 servidores do setor de licitação, além da promoção a assistentes sociais do município.
Outra preocupação dos sindicalistas, na fase anterior à votação das propostas, foi descartar a conotação político-eleitoral do movimento, como argumentam membros da administração municipal. O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, afirma que, ''dos 24 diretores do sindicato, ninguém é candidato nem faz campanha''.
Na primeira votação de propostas, o sim à greve teve aprovação quase unânime. Menos de 20 votos foram contabilizados para o não à greve. Na segunda votação, venceu a opção pela greve geral por tempo indeterminado, derrubando a proposta de paralisações semanais até 1º de setembro.
De acordo com Urbaneja, o próximo passo será a composição de comissões com 300 servidores para fazer o convencimento daqueles que não aderiram à iniciativa. ''Esses grupos também acompanharão o prefeito onde ele estiver, pois sabemos que ele vai despachar de outros órgãos da Prefeitura'', avisou. Para completar a agenda da greve, serão feitas assembléias semanais em frente à prefeitura, às quartas-feiras, ocasiões em que a pralisação será avaliada. Diferentemente do que ocorreu em 2005, a ordem agora é não realizar piquetes diários em frente à sede da administração ''pois sai muito caro'', justificou o sindicalista.
Urbaneja garantiu que não haverá ''qualquer ação que desrespeite'' os servidores que não aderirem ao movimento. Ano passado, o Executivo acusara o sindicato de proibir a entrada de servidores mediante o uso de seguranças pagos. Paralelamente à promessa do presidente, um dos diretores do Sindserv recomendava ao microfone, no palco armado sobre um caminhão, que os grevistas utilizassem carros de som em frente aos locais de trabalho dos ''médicos terceirizados'' pela Prefeitura.
A assessoria do prefeito Nedson informou que ele se manifestaria apenas por meio de nota oficial. Em texto de sete linhas, o chefe do Executivo lamentou a posição da categoria e reafirmou a impossibilidade de negociação salarial. ''A despesa com folha de pagamento já está acima do percentual previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. A prefeitura não tem condições financeiras de conceder qualquer tipo de reajuste salarial'', resumiu o prefeito na nota.

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