No próximo ano, foco da análise será transferido à Sercomtel Fixa

Uma eventual venda da Sercomtel Celular deverá ser tratada apenas pelo sucessor do prefeito Nedson Micheleti (PT) à frente do Executivo municipal, a partir de 2009. O ponto final na discussão que se arrasta há meses na Câmara de Vereadores de Londrina foi colocado ontem pelo prefeito interino, Luiz Fernando Pinto Dias (PT), e pelo presidente do grupo de estudos formado no Legislativo sobre a telefônica, vereador Sidney de Souza (PTB). Para o petebista, ''não tem mais clima'' na Casa para o assunto. Para Luiz Fernando, ''está descartado encaminhar qualquer projeto nesse sentido''.
Desde que a comissão de cinco vereadores iniciou os trabalhos, com foco na Celular, Nedson vinha colocando que só tomaria qualquer iniciativa de venda se a Câmara, por meio do grupo, acenasse positivamente para tal possibilidade. Na prática, isso equivaleria à conclusão pró-venda formalizada em relatório. Como o prefeito descartara privatização da empresa em 2008, devido ao cenário eleitoral, e como o documento não deve ficar pronto pelo menos até fevereiro, representantes dos dois poderes deram ontem o assunto por encerrado.
Nos bastidores, o recuo da Copel - sócia minoritária da Sercomtel, desde 1998 - em se desfazer de imediato de seus 45% de ações parece ter representado fator decisivo na condução dos trabalhos da equipe da Câmara: até semana passada, membros do grupo apostavam que, face a um futuro de inviabilidade, a saída mais plausível seria o de venda da Celular. Em reunião semana passada com os vereadores e com um grupo organizado de funcionários da telefônica, contudo, o diretor de Finanças e Relações com investidores da estatal, Paulo Trompczynski, destacou que uma série de medidas terá de ser adotada até que se ateste se, de fato, a parceria é ou não viável.
De acordo com o presidente do grupo de estudos, não apenas este ano o relatório não será finalizado, como, a partir de fevereiro, o foco da análise será transferido à Sercomtel Fixa. ''O que a Câmara pode fazer agora, além de analisar como a Fixa pode ampliar a clientela, é tirar indicativos sobre as coligadas, por exemplo, que impactam negativamente na empresa. Sobre o relatório, não temos pressa e não vamos fazer nada de afogadilho - já demos um passo importante'', avaliou.
No cargo desde ontem - Nedson viajou com a família e reassume o posto no próximo dia 19 -, Luiz Fernando declarou que uma eventual posição da Câmara no debate sobre a venda é que já teria definido o posicionamento do Executivo. ''Nem eu nem o Nedson encaminharemos projeto que autorize a venda da empresa; o Legislativo adotou uma postura clara, ao não concluir o relatório do grupo, e não creio que o quadro político-eleitoral já instalado na cidade vá se alterar'', comentou. Sobre tal quadro, Luiz Fernando explicou que a referência é a legisladores (deputados e vereadores) que concorrerão à Prefeitura, ano que vem, e a partidos políticos que já tiraram posição contrária à venda - caso, por exemplo, do PMDB.

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