Prefeitura é acusada de desviar recursos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de março de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Analistas de finanças da Controladoria Geral da União (CGU) revelaram ontem as primeiras irregularidades encontradas na administração do prefeito Ilson Mendes (PFL) em Sabáudia (65 km ao oeste de Londrina). O analista Zilmar Rodrigues informou que em 2000 a prefeitura de Sabáudia recebeu recurso de R$ 48 mil do Ministério da Previdência para a compra de equipamentos destinados à formação de uma escola de corte e costura. Em contrapartida, a prefeitura teria de investir R$ 12 mil para o treinamento de instrutores. ''Ele (o prefeito) não fez o treinamento, não gastou os R$ 12 mil e nem prestou contas. Ainda não sabemos os motivos nem se ele comprou os equipamentos'', relatou o analista.
Rodrigues frisou que as investigações estão apenas no início, na fase de levantamento de dados. Hoje, Rodrigues e o outro analista, Evânio Machado, devem verificar se os equipamentos para a escola de corte e costura foram efetivamente comprados. Rodrigues observou que estão faltando muitos documentos nos processos. ''Está tudo muito desorganizado'', descreveu. Eles chegaram em Sabáudia quarta-feira para investigar denúncias feitas pelo funcionário da prefeitura, Amauri Resende, ao promotor de Arapongas Luis Marcelo Bernardes Silva, que formalizou a denúncia e encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF).
O prefeito Ilson Mendes se defendeu das acusações. Ele afirmou que a prefeitura comprou as máquinas com a verba do ministério e que uma empresa fez o treinamento para a população no centro comunitário da cidade gratuitamente. ''Eles tinham interesse em treinar para depois contratar essas pessoas'', argumentou Mendes.
Segundo o prefeito, a empresa, que fabrica ternos, se instalou posteriormente no Parque Industrial de Sabáudia. ''Nós cedemos as máquinas para a empresa e ela está gerando empregos'', enfatizou Mendes, acrescentando que no local trabalham hoje cerca de 40 pessoas. A Folha tentou contato com a empresa mas ninguém atendeu o telefone depois das 17h30.
Mendes observou que se sentiu constrangido pela maneira como os analistas chegaram à cidade, acompanhados por policiais militares e federais. ''Nunca negamos nenhuma informação. Qual o interesse em fazer esse barulho todo?'', questionou. Sobre as falhas na documentação, o prefeito argumentou que não é um especialista nem na área contábil, nem na jurídica. ''Os funcionários que eu contratei são aqui da cidade mesmo. Os documentos podem não estar da forma como deveriam, mas não é mal-intencionado'', garantiu.


