Analistas de finanças da Controladoria Geral da União (CGU) revelaram ontem as primeiras irregularidades encontradas na administração do prefeito Ilson Mendes (PFL) em Sabáudia (65 km ao oeste de Londrina). O analista Zilmar Rodrigues informou que em 2000 a prefeitura de Sabáudia recebeu recurso de R$ 48 mil do Ministério da Previdência para a compra de equipamentos destinados à formação de uma escola de corte e costura. Em contrapartida, a prefeitura teria de investir R$ 12 mil para o treinamento de instrutores. ''Ele (o prefeito) não fez o treinamento, não gastou os R$ 12 mil e nem prestou contas. Ainda não sabemos os motivos nem se ele comprou os equipamentos'', relatou o analista.
Rodrigues frisou que as investigações estão apenas no início, na fase de levantamento de dados. Hoje, Rodrigues e o outro analista, Evânio Machado, devem verificar se os equipamentos para a escola de corte e costura foram efetivamente comprados. Rodrigues observou que estão faltando muitos documentos nos processos. ''Está tudo muito desorganizado'', descreveu. Eles chegaram em Sabáudia quarta-feira para investigar denúncias feitas pelo funcionário da prefeitura, Amauri Resende, ao promotor de Arapongas Luis Marcelo Bernardes Silva, que formalizou a denúncia e encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF).
O prefeito Ilson Mendes se defendeu das acusações. Ele afirmou que a prefeitura comprou as máquinas com a verba do ministério e que uma empresa fez o treinamento para a população no centro comunitário da cidade gratuitamente. ''Eles tinham interesse em treinar para depois contratar essas pessoas'', argumentou Mendes.
Segundo o prefeito, a empresa, que fabrica ternos, se instalou posteriormente no Parque Industrial de Sabáudia. ''Nós cedemos as máquinas para a empresa e ela está gerando empregos'', enfatizou Mendes, acrescentando que no local trabalham hoje cerca de 40 pessoas. A Folha tentou contato com a empresa mas ninguém atendeu o telefone depois das 17h30.
Mendes observou que se sentiu constrangido pela maneira como os analistas chegaram à cidade, acompanhados por policiais militares e federais. ''Nunca negamos nenhuma informação. Qual o interesse em fazer esse barulho todo?'', questionou. Sobre as falhas na documentação, o prefeito argumentou que não é um especialista nem na área contábil, nem na jurídica. ''Os funcionários que eu contratei são aqui da cidade mesmo. Os documentos podem não estar da forma como deveriam, mas não é mal-intencionado'', garantiu.

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