A Procuradoria-Geral da Prefeitura de Maringá está tentando ter acesso à ação civil pública de improbidade administrativa contra o ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi, para orientar a auditoria na Secretaria de Fazenda. O advogado Reinaldo Rodrigues de Godoy, diretor técnico-judicial da procuradoria, disse que a prefeitura tem apenas as informações divulgadas pela imprensa. ‘‘Como vocês todos estão surpresos, nós também ficamos’’, afirmou. Segundo Godoy, a prefeitura foi comunicada na sexta-feira da semana passada pela Procuradoria da República sobre a existência de irregularidades.
No início desta semana, o prefeito Jairo Ginaoto (PSDB), teria pedido a abertura de inquérito policial e de auditoria interna. Como o município não está sendo citado na ação, explica o advogado, há dificuldades de acesso aos documentos. ‘‘Não temos nem noção do que se trata o dinheiro que saiu dos cofres públicos’’, alega. A ação cita 46 cheques da Caixa Econômica Federal, desviados entre o final de 1998 ao início do ano passado.
Para Godoy, ‘‘quem faz isso não deixa rastro’’. Ele acha que os servidores citados na ação, o atual secretário de Fazenda, Jorge Aparecido Sossai e Rosimeire Castelhano Barbosa, que na época assinavam cheques na Fazenda, não têm envolvimento com o problema. Sem querer acusar o ex-secretário Luis Antônio Paolicchi, o advogado diz que a administração vai descobrir as irregularidades para tomar os providências. ‘‘O Paolicchi era o único secretário com cargo de carreira dentro da administração, justamente porque trabalhava com o dinheiro da prefeitura’’, conta Godoy.
O vereador Ulisses Maia (PPS), que até 1998 era presidente da Câmara Municipal de Maringá, disse à Folha que detalhes como o pagamento de contas da prefeitura não passam pelo Legislativo. ‘‘Recebemos todos os anos a prestação geral de contas, que não é discriminada e se não apresentar problemas é aprovada e vai para o Tribunal de Contas’’, explica. Ele lembra ainda que no período que esteve à frente da Câmara, não recebeu nenhuma denúncia de irregularidade. O atual presidente do Legisltivo, João Alves Correa (PMDB), não foi localizado. As contas da prefeitura de 95 a 98 foram aprovadas pela Câmara e pelo TC.
A Folha tentou também contato com sócios de Paolicchi na Mineradora Rainha, em Iguaraçu. Nenhum dos sócios foi encontrado na empresa, que, segundo funcionários, ainda pertence a Paolicchi.