De um lado, o equilíbrio financeiro; de outro, a perspectiva de pouco ou nenhum investimento na cidade pelos próximos quatro meses. A análise é do secretário de Fazenda de Londrina, Wilson Sella, após a prestação de contas do quadrimestre do ano. A apresentação foi feita ontem de manhã, em audiência pública na Câmara de Vereadores, pelo secretário e o controlador-geral do município, Sinival Osório Pitaguari.
Pelos números, de dezembro de 2004 para abril deste ano a dívida ativa do município registrou um aumento de quase 20% subiu de R$ 141,592 milhões para R$ 169,237. Já os quase R$ 60 milhões de gastos com pessoal e encargos sociais, em 2005, registraram elevação de 1% ante os últimos quatro meses do ano passado.
Apesar do aumento da dívida ativa e das dívidas de longo prazo a maior parte, R$ 118,969 milhões, relacionada à Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml) , a administração conseguiu fechar o quadrimestre com superávit de pouco mais de R$ 13 milhões. Segundo Sella, o número não sinaliza qualquer índice de reposição salarial aos servidores municipais, que realizaram em março e abril 31 dias de greve reivindicando 21%.
''Os números mostram que trabalhamos dentro da meta fiscal: não gastamos, não investimos. Mas é um equilíbrio tênue; não dá para pensar em investimento no próximo quadrimestre a menos que baixe a dívida ativa'', disse Sella. Segundo o secretário, a reposição ao funcionalismo dependeria de superávit financeiro (ou seja, o fluxo de caixa), não somente orçamentário. ''Isso só será verificado mês a mês. Não há, portanto, data definida'', avisou.
O presidente da Comissão de Finanças da Câmara, vereador Henrique Barros (PMDB), se disse ''não convencido'' com a prestação de contas. De acordo com ele, foram ''muitas perguntas sem resposta'', especialmente as que tratam da dívida ativa. ''Estamos pagando juros abusivos, haja vista o tanto que essa dívida cresceu. Além do mais, o montante de encargos pessoais nos leva à conclusão de que a Prefeitura está se tornando praticamente inviável'', reclamou.
A respeito dos gastos com pessoal, Sella considerou o argumento de Barros ''inconsistente''. ''Aumentou apenas 1% porque reflete o crescimento vegetativo. A maior parte disso, cerca de 80%, vai para Saúde e Educação'', respondeu. Sobre a dívida ativa, o secretário afirmou que o acréscimo se deveu aos não pagadores do Imposto Sobre Serviços (ISS) e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

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