O prefeito de Jaguapitã, Abimael Baldani (PMDB), denunciou ao Ministério Público (MP) e à Câmara Municipal o desvio de R$ 42,8 mil dos cofres públicos na administração do ex-prefeito Edson Rodrigues de Almeida (sem partido). De acordo com a denúncia, a instalação de equipamentos para levar energia elétrica para uma empresa teria sido feita com recursos de uma carta-convite de dezembro de 1999 destinada a ''obras de instalação de energia no Parque Industrial, com fornecimento de material e mão-de-obra''.

Segundo a denúncia, a empresa beneficiada foi a Avebom Indústria de Alimentos Ltda., no Parque Industrial. ''Fizemos um levantamento da documentação através da procuradoria jurídica. A licitação foi feita pelo município e ganhou a cooperativa Cerast. A concorrência contemplaria o Parque Industrial mas o projeto foi feito e destinado para a Avebom'', relatou Baldani. ''O recurso foi utilizado, só que não foi para contemplar o contribuinte; achamos que não está correto'', disse.

O responsável técnico da Cooperativa de Eletrificação Rural de Astorga (Cerast), Massayuki Ishida, confirmou que a empresa ''realizou obras em Jaguapitã a serviço da prefeitura'', mas não quis dar mais detalhes. ''Eu não posso me meter no assunto. O pessoal da prefeitura já esteve aqui e entreguei todos os documentos.''

Almeida se disse ''surpreso''. ''Está tudo dentro da normalidade. A empresa responsável pela obra que teria que responder por isso'', justificou. ''Jamais pensaria em qualquer tipo de desvio. Encaro isso como questão política.''

Josivan Ferreira Tomaz, da Avebom, confirmou que a instalação foi feita pela prefeitura. ''Na época, a prefeitura ofereceu terreno, prédio, energia e terraplenagem. Não temos nada a esconder'', afirmou. ''Outras empresas do mesmo parque também receberam energia elétrica. Por que somente a denúncia contra a Avebom?'', questionou.

A promotora Fábia Fritegotto, que recebeu a denúncia, disse que está analisando a documentação enviada pela prefeitura e que ''a princípio deverá ser instaurado inquérito civil público''. O vereador Miro Vidal (PT) disse que a Câmara está verificando a possibilidade de abertura de uma comissão especial para investigar o caso.

mockup