No mesmo dia em que os funcionários municipais começaram uma campanha de arrecadação e distribuição de cestas básicas, também ontem a Prefeitura de Maringá decidiu instaurar procedimento administrativo pela demissão de 22 servidores envolvidos semana passada na invasão do prédio da administração. O grupo havia sido indiciado pela Polícia Civil por crimes como dano ao patrimônio e formação de quadrilha, depois de 45 pessoas terem sido retiradas à força do local por uma megaoperação policial. O movimento de paralisação pela reposição salarial de 16%, iniciado dia 5 de junho, completa hoje um mês.
De acordo com o secretário municipal de Administração, Ademar Schiavone, o processo contra os 22 funcionários presentes à invasão se justifica porque teria havido ônus ao Município - referência aos vidros e portas quebrados na ocasião. ''Estamos ainda na fase de levantamento, mas tudo terá de ser ressarcido aos cofres públicos'', adiantou.
Também ontem, o Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar) começou a coleta e distribuição de cestas básicas adquiridas com o Fundo de Solidariedade. O objetivo é amenizar a crise enfrentada por conta dos descontos de 16 dias parados na folha de pagamento de 1.713 funcionários. De acordo com a presidente da entidade, Ana Pagamunici, a situação é ''calamitosa''. E denuncia: ''Até quem trabalhou teve o salário pago parcialmente, e pelo menos 400 pessoas tiveram R$ 0 no holerite''.
Conforme a sindicalista, o Sismmar ingressou ontem na 5 Vara Cível com pedido de declaração da legalidade da greve, bem como a determinação pelo pagamento dos dias descontados no prazo de 24 horas. ''(O desconto em folha) Foi uma medida indevida, pois temos o respaldo de uma liminar orientando a Prefeitura a negociar os dias parados'', citou.
Sobre a abertura de processo administrativo, Ana o considerou mais um exemplo do que chama de ''falta ou recrudescimento do diálogo'' por parte do prefeito Sílvio Barros (PP) com a categoria.
O secretário de Administração de Maringá rebateu a possibilidade de desconto integral na folha, mas admitiu a possibilidade de erro quanto a funcionários que trabalharam e se surpreenderam com o desconto. ''Salário zerado provavelmente é de servidor que tem seguro, farmácia e outros gastos descontados na folha - ainda assim, são uns 200'', explicou, para completar: ''Já quem recebeu com desconto, investigaremos se houve falha, pois pode ser erro de informação das chefias''.
O funcionalismo volta a traçar os rumos do movimento em nova assembléia marcada para hoje, às 9 horas. Amanhã, a categoria realiza o Ato Nacional Contra a Violência e a Fome com comunidade local e parentes dos servidores, em frente à prefeitura.

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