Imagem ilustrativa da imagem Prefeitura de Londrina demite servidor da Acesf por desvio de R$ 600 mil
| Foto: Fernando Cremonez/CML
"Hoje ninguém recebe mais dinheiro ou cheque, em qualquer serviço prestado é emitida uma guia e recolhida no banco", tranquiliza o procurador-geral do Município, João Luiz Esteves, ao reforçar a mudança nos procedimentos da Acesf



Com 32 anos de carreira, o servidor municipal Paulo César dos Santos foi demitido após conclusão do processo administrativo disciplinar instaurado em dezembro do ano passado pela Corregedoria-Geral do Município de Londrina. Ele é acusado de desviar mais de R$ 600 mil da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina) nos anos de 2014 e 2015. A decisão assinada pelo prefeito Marcelo Belinati (PP) na última quinta-feira (26/10) foi encaminhada ao Ministério Público para que seja feita denúncia na esfera criminal.

De acordo com o procurador-geral do Município, João Luiz Esteves, o servidor - que ocupava cargo de diretoria – desviou dinheiro de pagamentos feitos a fornecedores (pessoa jurídica). "Eram desviados valores de materiais e serviços funerários prestados que teriam que entrar para o caixa da Acesf, entretanto, o servidor recebia o dinheiro ou cheque, emitia um recibo, e ficava com o valor."

Como a conduta causou dano ao erário, o denunciado precisará ressarcir o valor desviado de R$ 601.005, não atualizados.

Segundo Esteves, depois de descoberto o esquema, os procedimentos foram alterados na Acesf para impedir que esse tipo de situação se repita. "Hoje ninguém recebe mais dinheiro ou cheque, em qualquer serviço prestado é emitida uma guia e recolhida no banco."

Procurada pela reportagem, a advogada Regiane Andreola Rigon que defende o ex-servidor disse que não estava autorizada a comentar o caso.

Atualmente, existem 85 processos administrativos contra servidores da Prefeitura de Londrina. "São casos isolados dentro de universo de 11 mil servidores, mas nem todos esses casos são tão graves como esse de desvio de recursos públicos. Por isso, nem todos são passíveis da punição mais grave, que é demissão".

RELEMBRE
Essa não é a primeira vez que a Acesf sofre com a prática da corrupção. Em 2008, foi descoberto pelo Ministério Público um esquema de extorsão de familiares de pessoas falecidas, obrigadas a realizar um caro procedimento de conservação de cadáveres – a tanatopraxia -, mesmo sem necessidade.

Já em 2015, a Justiça condenou 12 pessoas por improbidade administrativa. Entre elas, estavam os donos de duas empresas de tanatopraxia, servidores do órgão, seu então superintendente, Osvaldo Moreira Neto, e o ex-vereador Orlando Bonilha, que indicou Neto para o cargo, na gestão do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT). O valor pago pelo procedimento desnecessário era dividido entre os réus.

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