O terreno da antiga Estação Rodoviária de Foz do Iguaçu, devolvido à prefeitura por decisão da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJ), deverá ser negociado com os proprietários do Hotel Foz do Iguaçu – que foi erguido sobre a área. De acordo com o prefeito Paulo MacDonald (PDT), a prefeitura não tem intenção de prejudicar o funcionamento do hotel, que emprega mais de 100 pessoas. O estabelecimento, de categoria 4 estrelas, tem 171 apartamentos, centro de convenções e é avaliado em pelo menos R$ 3 milhões – segundo o ex-vereador José Cláudio Rorato, autor da Ação Popular ajuizada em 1983 que acarretou a devolução do terreno à administração municipal.
  Apesar da decisão unânime dos desembargadores em meados de dezembro, após 23 anos do início do processo, o prefeito de Foz acredita que o desfecho do caso ainda pode estar longe. ‘‘Eu vou primeiro esperar a decisão final da Justiça, acho que tem recurso a Brasília e devemos aguardar quando for definitiva. Pode demorar mais cinco ou seis anos. Por ora, posso dizer que é uma área bastante significativa, mas que tem um hotel em cima’’, afirmou MacDonald à Folha. ‘‘O que vamos fazer, mandar derrubar? Não tem cabimento. A nossa intenção é negociar com quem está em cima e vender o terreno para eles’’.
  De acordo com o prefeito, a administração municipal ainda não teve tempo para fazer uma avaliação do imóvel e manter contato com os proprietários. ‘‘Nós estamos em final de ano, tem ‘580 coisas’ para fazer, esse asssunto da Justiça fica mais para a frente’’.
  MacDonald também evitou emitir uma avaliação sobre o desinteresse da prefeitura pelo terreno durante os 23 anos em que a Ação Popular tramitou no fórum local e no TJ. ‘‘Procuro sempre evitar comentar decisões judiciais, ficar criticando isso ou aquilo. Se a Justiça disse que sim (à titularidada da prefeitura sobre o terreno), tenho que concordar n钒.

  Honorários - O histórico do terreno da antiga Rodoviária remonta a 1965, ano em que a prefeitura abriu licitação para a construção do terminal. A concorrência, vencida pela construtora CR Almeida, previa a reversão do terreno em favor da prefeitura, após 25 anos de concessão.
  Na década de 80, o ex-prefeito Clóvis Cunha Viana assinou um distrato com a empresa abrindo mão da propriedade – que nessa época foi adquirida pela empresa Mattos Leão. O desinteresse pela área foi repetido pela administração do também ex-prefeito Wádis Benvenutti.
  Em 1983, Rorato entrou com uma Ação Popular, pedindo a nulidade do distrato e a reversão do terreno para a prefeitura. Derrotado na 1ªVara Cível, Rorato não recorreu da decisão.
  A Mattos Leão, porém, apresentou recurso ao TJ para obrigar o autor da ação a arcar com os honorários advocatícios. Ao analisar o pedido da empresa, o Ministério Público considerou equivocada a decisão de primeira instância e entrou com pedido de reexame da sentença.
  Em 15 de dezembro de 2006, os desembargadores da 2ªTurma revogaram o distrato e devolveram o terreno à Prefeitura de Foz. As atuais proprietárias do terreno (e do Hotel Foz do Iguaçu), Margareth e Suzete Mattos Leão não retornaram o contato da Folha. O advogado da empresa, Manoel Carneiro, se recusou a conceder entrevista.

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