Curitiba - A Prefeitura de Curitiba entrou ontem na Justiça pedindo que o governo do Paraná efetue o pagamento dos R$ 15,6 milhões pendentes do convênio tripartite, firmado entre as duas administrações e o Atlético-PR, para viabilizar os jogos da Copa do Mundo de 2014 na cidade. No dia anterior, o município havia sido notificado pela Casa Civil para que se manifestasse sobre a possibilidade de ampliar o acordo de R$ 184,6 milhões, do orçamento inicial da reforma da Arena da Baixada, para R$ 346,2 milhões, valor atualizado pelo clube quando da conclusão da obra.
Em nota, a administração Gustavo Fruet (PDT) se disse surpresa com a proposta, que condiciona o pagamento dos débitos à assinatura de um novo convênio. "A Prefeitura de Curitiba informa que vai aguardar a manifestação do governador Beto Richa (PSDB), que está em viagem internacional", disse. Beto se encontra em missão oficial na China, acompanhado de assessores, empresários e da mulher, a secretária de Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, devendo retornar ao Brasil somente no dia 26, após passagem por Rússia e França.
O pedetista também cita recentes declarações do tucano à imprensa, em que ele se mostrou contrário à liberação de mais dinheiro público para o estádio. "Vocês conhecem a prefeitura, o governo do Estado e os dirigentes do Atlético. Vocês sabem quem está falando a verdade", afirmou o governador, durante coletiva em fevereiro de 2014.
A administração estadual deveria ter repassado ao município, até o dia 4 de outubro, R$ 61,53 milhões. Entretanto, arcou com somente R$ 45,8 milhões. Como alternativa, propôs quitar o residual até o primeiro semestre de 2016, desde que as partes se comprometessem a "tratar de forma integral as pendências existentes nos termos", ou seja, que aceitassem a emissão de potencial construtivo adicional. Tanto o clube como o governo do Estado alegam que o plano de trabalho elaborado em 2012 considerou "estimativas preliminares, anteprojetos e alguns projetos básicos de engenharia", não contemplando a inflação do período, nem as alterações exigidas pelo caderno de encargos da Fifa.
Procurada pela FOLHA, a gestão tucana informou que aguardará o chamado da Justiça para fazer os devidos esclarecimentos. "A priori, a iniciativa da Prefeitura de Curitiba contribui para a discussão das pendências de todas as partes, com a possibilidade de que haja uma solução arbitrada pela Justiça", disse, em nota. No documento da Casa Civil, também mencionou pontos como a recomendação de organismos de controle, incluindo o Tribunal de Contas (TC) e a Comissão de Fiscalização da Copa, a respeito da necessidade de se alterar o custo total da reforma da Baixada. A reportagem também ligou ontem para a assessoria de imprensa do Atlético-PR, no entanto, o clube informou que não se pronunciaria a respeito do imbróglio.

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