Prefeitura de Cambé quer mais 77 comissionados
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sexta-feira, 15 de julho de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
No início do ano, a população de Cambé (13 km a oeste de Londrina) se surpreendeu com as primeiras medidas da então recém-empossada Legislatura. De apenas um por gabinete, a Câmara de Vereadores aprovou o aumento do número de assessores parlamentares para três, em um prédio que, apesar de novo, não tem estrutura física para a mudança. Decorridos já quase sete meses da atual administração, agora é o Executivo que planeja a contratação de mais pessoal ao todo, 77 cargos comissionados , ou ''reestruturação'' do quadro, como preferem chamar membros da Prefeitura.
A medida está prevista no projeto de lei complementar 54/2005, que segue para votação dos vereadores em sessões extraordinárias marcadas para as próximas segunda e terça-feiras, às 11h30. Se aprovado, o documento autorizará o poder público a contratar 77 novos funcionários de confiança a um custo anual de aproximadamente R$ 1,4 milhão. Com os encargos sociais, o montante pode chegar a quase R$ 2 milhões, com salários mensais que variam de R$ 878 a R$ 2.568. Atualmente, são 179 os comissionados do Executivo.
A medida foi criticada pela vereadora Mirian Martins Araújo (PP), que juntamente com outros três colegas dos 10 que compõem a Casa, garantiu voto contrário nos dois turnos. De acordo com ela, o Legislativo teve pouco tempo para analisar a proposta, já que o prefeito Adelino Margonar (PMDB) teria encaminhado o projeto na última terça-feira. ''Não sou contra a contratação de mais pessoal, pois a Prefeitura está mesmo com o quadro defasado. O problema é fazer isso sem concurso público, com finalidade meramente política'', reclamou.
Ainda segundo a vereadora do PP, o aumento no número de comissionados vai ''na contramão do processo de moralização que o País pede'', frente às recentes denúncias de corrupção envolvendo nomes do governo federal. ''Não é ilegal propor mais gente, mas é imoral. Tanto é que nem tiveram a coragem de enviar isso para cotação em uma sessão ordinária'', avaliou.
Além desse, a Câmara deve analisar também na segunda-feira o projeto de lei complementar que, praticamente de forma paralela, diminui de 70% para 55% a participação de servidores de carreira no quadro dos cargos de confiança.
O vice-prefeito de Cambé, Carlos Alberto Abudi (PV), mais conhecido por Berro, justificou a reestruturação com um cálculo pessoal: ''Quando cheguei à cidade, ela tinha 30 mil habitantes. Hoje, são 100 mil não vou conseguir atender toda a população se mantiver a estrutura antiga'', analisou.
Berro argumentou que a votação em sessão extraordinária se deve em razão da urgência no preenchimento dos novos cargos, voltados, de acordo com ele, para os setores de saúde, obras, fazenda e jurídico. ''Não temos condições de abrir concurso em função da Lei de Responsabilidade Fiscal, passaríamos do limite, pois ficaria mais caro.''
Sobre a redução no número de funcionários de carreira, o vice-prefeito declarou que ela é necessária em função da mudança de administração ocupada, nos últimos quatro anos, por José do Carmo (PTB), oposição a Margonar. ''Não queremos ficar engessados, não seria justo. Se amanhã eu ou você quisermos ser prefeitos, teremos alguém de estrita confiança ali'', definiu.


