Um imóvel no Jardim Diamantina, em Apucarana (Norte), foi doado ''por engano'' a uma entidade presidida pelo ex-prefeito da cidade Walter Pegorer, aliado do atual prefeito, João Carlos de Oliveira (PMDB), que assinou a lei em 18 de agosto 2009. O projeto foi encaminhado à Câmara no dia 15 daquele mês e previa apenas a renovação da cessão de uso por mais 30 anos. Porém, segundo João Carlos, ''um equívoco sem maldade ocorrido na Câmara'' transformou o projeto em doação. ''Quando sancionei a lei, não conferi, porque todos os projetos passam antes pelas assessorias'', disse João Carlos.
Poucos dias após a doação, a prefeitura emitiu a escritura para a entidade - o Centro de Promoção Humana São Benedito (Ceprhusb), mantendor da Guarda Mirim - que registrou o imóvel no Distrito do Pirapó (área rural). Para corrigir o equívoco, o prefeito disse já ter encaminhado ao Legislativo projeto para revogar a lei de doação. ''Não há o que apurar. O importante é resolver o problema e não ficar procurando culpados'', defendeu.
Porém, não é assim que pensa o prefeito eleito de Apucarana, Beto Preto (PT). Ontem ele formalizou denúncia ao promotor Eduardo Cabrini, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da cidade. ''Mesmo que a doação seja revogada, acredito que houve ato de improbidade administrativa e talvez até algum crime.'' Segundo ele, o imóvel estaria avaliado em cerca de R$ 3 milhões. O petista também sustenta que o erro ocorreu na prefeitura e não no Legislativo. ''Quem manda a lei para os vereadores assinarem, o chamado autógrafo, é a prefeitura, que agora está culpando funcionários da Câmara.''
O presidente da Câmara, Alcides Ramos, teria visto o equívoco apenas em 24 de fevereiro deste ano quando encaminhou ofício ao Executivo informando sobre a doação ilegal e solicitando providências para corrigir a lei e anular a escritura. Ontem ele não foi localizado. Ele também diz que o ''erro formal'' teria ocorrido na Câmara.
Walter Pegorer afirmou que não irá se opor à revogação da lei ''até porque a cessão de uso seria por 30 anos prorrogáveis por mais 30''. Segundo ele, em 2009, a Ceprhusb solicitou a doação do prédio e acreditava que este seria o teor da lei. ''Somente agora vim a saber que houve aquele equívoco.'' Para ele, ''está havendo muito barulho por pouca coisa''. ''É uma questão política de um grupo fanático.''
Mesmo com a cessão de uso aprovada, o futuro prefeito tem outras finalidades para o prédio. ''Penso em um local para tratamento de dependentes químicos ou uma faculdade ou ainda a sede dos conselhos municipais. O que não pode é doar um imóvel como aquele para um ex-prefeito'', disse Preto.

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