Prefeitura de Apucarana demite 600
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quinta-feira, 31 de julho de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
AjusteO prefeito Scarpelini: demissões são necessárias, não políticasA prefeitura de Apucarana demite hoje 600 de seus 2.100 funcionários. Isso corresponde a mais de 30% do quadro de servidores. A decisão do prefeito Carlos Scarpelini (PPB) faz parte de uma reforma administrativa que inclui redução salarial, diminuição do atendimento nos postos de saúde e funcionamento do parque de máquinas municipal por apenas meio período. Entre os funcionários demitidos estão 350 que ocupavam cargos comissionados, 150 vigias e 100 atendentes de saúde. Estas duas últimas categorias eram prestadoras de serviço.
Estamos mexendo só com o pessoal que não é concursado. Não era nossa vontade, mas infelizmente a demissão é necessária para não piorar ainda mais as coisas, argumenta o prefeito, que ainda não pagou os dois últimos meses dos salários do funcionalismo.
Scarpelini ainda não tem dinheiro para fazer o acerto dos demissionários e prevê acertar as contas somente em 120 dias. Tudo vai depender do nosso fluxo de caixa, explica. Segundo ele, as demissões reduzirão em R$ 200 mil a folha de pagamento, hoje de R$ 700 mil. A arrecadação mensal é de R$ 1,2 milhão.
Ele argumenta que as medidas são necessárias para colocar a casa em ordem. Eu sei que não é o momento para mandar gente embora, mas não temos outro caminho, desabafa. Ele alega que a arrecadação tanto do ICMS como do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) caiu 40% nos últimos quatro meses. Para a Prefeitura de Apucarana, a queda chegou a R$ 1,5 milhão. Afora a dívida de R$ 20 milhões que assumimos.
Necessidade Para tentar contornar a falta de pessoal causada pelas demissões, a prefeitura instalou sistema de alarme nas creches e escolas; os postos de saúde reduzirão o atendimento e ainda terão de funcionar com menos pessoal. Menos gente, mais esforço, reconhece Scarpelini, que pretende realizar concurso público em setembro, mas sem previsão de contratação. Só quando a coisa melhorar, garante.
Secretários e outros servidores de cargos comissionados terão queda média de 20% no valor dos salários. Scarpelini cita o caso de secretários municipais que terão o pagamento reduzido de R$ 1.800,00 para R$ 1.050,00.
Para ele, as medidas não soarão como antipáticas, apesar de admitir que haverá dificuldade de recolocação dos demitidos no mercado de trabalho por conta da crise financeira. As demissões não são políticas e sim necessárias e a população torce para que a prefeitura atenda bem.


