Prefeitura apresenta ‘metas radicais’ para economia e educação
Previsão de Orçamento de R$ 3,6 bilhões é considerada "conservadora" por economista, que vê metas ousadas para os próximos anos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de abril de 2025
Previsão de Orçamento de R$ 3,6 bilhões é considerada "conservadora" por economista, que vê metas ousadas para os próximos anos
Douglas Kuspiosz - Reportagem Local 

A primeira lei orçamentária elaborada pela gestão do prefeito Tiago Amaral (PSD) estima uma receita de pouco mais de R$ 3,6 bilhões para 2026, um crescimento da ordem de 5% em comparação com 2025, que tem previsão de quase R$ 3,5 bilhões, e projeta metas ousadas para as áreas da educação, da saúde e da economia para os próximos anos. A LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 foi apresentada na última segunda (14) e protocolada na terça-feira (15) na CML (Câmara Municipal de Londrina).
Além de estimar as receitas e despesas do município, o projeto da LDO também traz uma série de objetivos estabelecidos pela gestão municipal até 2028 que deverão constar, também, no PPA (Plano Plurianual) 2026-2029. Na audiência que discutiu as diretrizes orçamentárias, o secretário municipal de Planejamento e Orçamento, Marcos Rambalducci, classificou as metas como “radicais”.
“Nós precisamos de metas agressivas para que a gente tenha aquele impulso para poder realizá-las. São todas muito desafiadoras”, disse o titular da pasta.
As diretrizes estabelecidas pela Prefeitura são baseadas em seis eixos: Saúde e Bem-Estar; Educação e Promoção Cultural; Desenvolvimento Econômico, Inovação e Desburocratização; Segurança Pública e Desenvolvimento Humano; Gestão Inteligente, Transparente e Inovadora; e Meio Ambiente e Sustentabilidade.
Entre as metas para a Educação, a Prefeitura pretende elevar de 6,9 para 9,5 a nota de Londrina no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) até 2028. O indicador, que mede a qualidade no ensino, vem crescendo lentamente nos últimos anos, saindo de 6,8 em 2017, primeiro ano da gestão do ex-prefeito Marcelo Belinati (PP), para 6,9, em 2024. A administração também fala em atender 100% da demanda por creche na cidade.
“O investimento é muito alto. Tem que aumentar 2,6 pontos [no Ideb]. Se tiver investimento pesado, tanto da Prefeitura quanto do governo do Estado, pode ser [que atinja a meta], mas precisa ser bem alto. Se acontecer seria muito bom, mas é uma meta ousada”, afirma o economista e professor Emerson Esteves.
A área da Saúde, que concentra a maior parcela dos recursos, com mais de R$ 1 bilhão, tem como meta zerar a fila de espera da saúde até o final do ano que vem. A administração estima que mais de 160 mil pessoas aguardam algum tipo de procedimento eletivo na cidade.
TURISMO
Outro exemplo está na área econômica, com a projeção de alcançar 8% do PIB (Produto Interno Bruto) com turismo até o final de 2028. O intuito é ter o setor turístico como um eixo estratégico no desenvolvimento local, que hoje não chega a 1% do PIB. Para o economista, essa é uma projeção otimista da Prefeitura, que fala em tirar do papel o Parque Linear do Igapó, a revitalização do Centro Histórico e a exploração do setor da saúde para atrair visitantes.
ORÇAMENTO
O economista avalia que as projeções para o ano que vem são bastante conservadoras. A administração entende que a arrecadação deste ano foi superestimada em quase R$ 90 milhões, o que pode ter motivado uma previsão mais “pé no chão”. As secretarias municipais têm lidado com um contingenciamento de quase R$ 30 milhões por mês para compensar gastos que não estavam previstos no Orçamento de 2025.
Esse é o cenário econômico em que esses projetos começarão a ser desenvolvidos, seja para 2026 ou para o último ano da gestão do prefeito Tiago Amaral. Rambalducci frisou que não há fôlego nas contas públicas para o ano que vem.
“De uma forma geral, é um trabalho feito com a preocupação de estar mais próximo da realidade. O que aconteceu no ano passado pode ter sido um otimismo exagerado”, afirma Esteves. “É um crescimento pequeno para não criar expectativa. Você tem que pensar que 2026 é ano de eleição, vai ter investimento por parte dos governos estadual e federal, mas por outro lado tem a inflação."
A Prefeitura de Londrina inicia na semana que vem as audiências públicas do PPA, que deverá ser protocolado na Câmara até 31 de agosto.
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Meta para Ideb traz preocupações, diz professora
Uma das metas estabelecidas pela gestão do prefeito Tiago Amaral (PSD) é elevar a nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 6,9 para 9,5 até o fim de 2028. A projeção está presente no texto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 enviado à CML (Câmara Municipal de Londrina).
Apesar de ser apontado como um aspecto para melhorar a qualidade da educação, a professora Adriana Farias, do Departamento de Educação da UEL (Universidade Estadual de Londrina), avalia que a meta de elevar a nota do Ideb em um espaço de tempo tão curto é preocupante.
“Só poderia ser alcançada com a intensificação de práticas gerencialistas da organização escolar. Só o estabelecimento dessas metas já anuncia que há uma perspectiva gerencialista do funcionamento da organização escolar. Isso significa submeter a educação pública a um funcionamento que descaracteriza o seu papel, a sua função social”, afirma Farias, que entende que as avaliações de larga escala, como o Ideb, não contribuem para alcançar uma “educação pública de qualidade, verdadeiramente inclusiva e acessível a todos”, pois as escolas são comparadas desconsiderando suas particularidades e ignorando a realidade de cada comunidade escolar.
A professora argumenta que uma educação "empresarial" mantém as desigualdades sociais e educacionais. "Ao mesmo tempo em que ressalta a responsabilização individual por tais desigualdades, desconsiderando a finalidade última da educação, que é a emancipação humana."


