A Prefeitura de Nova Tebas (90 km ao sul de Campo Mourão) fez ontem o pagamento dos direitos dos 96 servidores demitidos com a anulação de um concurso realizado em 1997. O prefeito Nilo Klhen (PMDB) disse que as demissões ocorreram porque um inquérito administrativo apurou irregularidades no concurso.

Segundo Klhen, a prefeitura não publicou, na época, o edital de convocação do concurso, as notas de vários candidatos foram alteradas e a contratação não respeitou a ordem de classificação. O concurso aconteceu em abril de 1997, mas os aprovados só foram chamados em maio de 1998.

''Teve candidato aprovado que só assinou a prova'', contou Klhen. ''Com certeza eles vão entrar na Justiça. É um direito deles.'' O prefeito disse, porém, que não vai substituir os demitidos. ''Estava sobrando gente e 64 funcionários só vinham cumprindo horário.'' As 96 demissões representam 24% do total de servidores municipais (restaram 302).

Com as demissões, a prefeitura vai economizar R$ 28 mil na folha. O prefeito afirma que esse valor não será suficiente para que o município se enquadre na Lei Fiscal. ''Se as coisas não mudarem, teremos que demitir mais uns 150 funcionários no ano que vem'', frisou.

O problema de Nova Tebas é a queda populacional. De acordo com o IBGE, o município perdeu quase 10% da população em quatro anos, caindo de 14.310 habitantes em 1996 para 9.474 em 2000. Com isso, o repasse do FPM deve cair a partir de 2001. Klhen já pediu um novo censo ao IBGE.

A Folha não localizou ontem o ex-prefeito Luiz Carlos Petrechen. Ele mora em Pitanga e estava em uma fazenda sem telefone. Anteriormente, ele disse desconhecer a existência de fraudes no concurso.

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