O sócio da Delmondes&Dias, Cleiton Severino Dias, empresa contratada pela Prefeitura de Londrina para treinar os integrantes da Guarda Municipal, reafirmou ontem, em depoimento à Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara de Vereadores, que a administração municipal ainda não pagou por parte dos serviços prestados e que as aulas de tiro não foram dadas.
Segundo Dias, a prefeitura se comprometeu a pagar um valor referente a um número de horas-aula. ''Eu não sei o que a prefeitura justificou em relação ao dinheiro. Foi orçado um valor de R$ 420 mil e o curso saiu por R$ 303 mil. Não estava escrito ou descrito no contrato que a empresa recebia por disciplina, ela recebia por horas-aula'', afirmou.
O empresário ainda negou que tenha recebido por serviços não prestados. ''O pagamento feito foi uma compensação pela quinta turma, que nem foi falada pelo município e foi formada. Isso está comprovado através de documentos. Um aditivo que foi solicitado para a prefeitura, que teria sido repassado para a Secretaria de Gestão Pública, simplesmente sumiu'', denunciou. ''A prefeitura deve a quinta turma para empresa e isso ninguém comentou. Toda a aula da quinta turma foi feita sem a empresa receber e isso não está no relatório da controladoria. O que a empresa sempre quis foi formar a melhor guarda municipal do país, nunca tivemos a intenção de lesar o município nem a prefeitura. Se houve questões políticas, erros internos da prefeitura, a empresa não pode responder por isso'', finalizou Dias.
Segundo o advogado da empresa, Benedito de Paula, a quinta turma foi feita por uma imposição extra-contratual, o município convocou e a empresa não podia negar a realização. ''Mesmo não estando dentro do contrato, está previsto nas leis de licitações que até 25% de margem o município pode impor um serviço que está sendo prestado. Foi solicitado o aditivo contratual e até hoje se está esperando por isso. A empresa também nunca foi notificada da rescisão do contrato, que portanto está em aberto ainda.''
O advogado também ressaltou que o curso de tiros não foi dado por responsabilidade da prefeitura, já que à Delmondes apenas cabia fornecer o instrutor para o curso, sendo de responsabilidade do município as armas, munição e estande (local do tiro). A prefeitura também deveria oficiar o Exército e a Polícia Federal para autorização do curso. ''Depois disso a empresa seria convocada para a prestação do serviço.''
O presidente da CEI, Jairo Tamura (PSB), disse que o depoimento do empresário esclareceu pontos identificados pela auditoria da prefeitura e apontou as discordâncias sobre o contrato. 'A empresa questiona alguns fatos, mas são fatos que são públicos. O que nós temos em mãos é que não houve a realização do curso de tiro. Esse questionamento sobre o pagamento ou não ainda estamos investigando, e a própria empresa faz o questionamento em relação a outras partes do contrato.''
A Delmondes&Dias deve entregar hoje os documentos requisitados pela CEI. A Comissão toma hoje, às 16h, o depoimento do secretário de Gestão Pública, Marco Cito.

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