Os prefeitos das nove maiores capitais vão insistir na luta para conseguir um tratamento diferenciado do governo federal. ‘‘A chiadeira é grande e o ponto básico é a preferência dada aos estados, em detrimento das grandes cidades’’, diz o prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy (PFL). Ele aproveitará a próxima reunião de prefeitos das regiões metropolitanas, marcada para o dia 12 de março, em Recife, para traçar a estratégia de atuação com o ministro da Fazenda, Pedro Malan. A tática será a de convencer a equipe econômica de que, equacionada a questão dos Estados, o governo terá de cuidar das grandes metrópoles.
Reclamações e problemas não faltam aos prefeitos. O anfitrião da reunião, Roberto Magalhães (PFL), é pessimista quanto à possibilidade de que os administradores das capitais possam renegociar suas dívidas. ‘‘Já me daria por satisfeito se não me tirassem o que eu tenho’’, critica. Com uma pequena capacidade de investimento (R$ 25 milhões) em relação à arrecadação de R$ 470 milhões, Magalhães perderá mais da metade (de R$ 12 a R$ 14 milhões) com o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef). ‘‘Os critérios são draconianos com alguns municípios’’, afirma.
Na última reunião dos prefeitos de capitais em São Paulo, em dezembro passado, o ministro Pedro Malan disse que não podia refinanciar as dívidas das prefeituras pela impossibilidade de conversar com 5.506 municípios. Os prefeitos das regiões metropolitanas vão rebater o argumento com a redução do universo de negociação para as nove maiores capitais - São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além de Brasília. O governador Cristovam Buarque também estará no encontro do dia 12.
O prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro (PSB), não aceita que o governo federal dê tratamento especial aos cinco municípios que possuem dívida mobiliária, resultante de lançamento de títulos públicos (São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Osasco e Guarulhos).

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