S. JOSÉ DO RIO PRETO - Prefeitos e lideranças municipais de regiões brasileiras estarão em Brasília amanhã e quarta-feira pedindo aprovação da emenda da reeleição de presidente, governadores e prefeitos. ‘‘Um grupo de congressistas estaria preparando um ‘golpe sujo’ para aprovar apenas a reeleição do presidente, mas os prefeitos não podem ficar de fora’’, disse ontem em São José do Rio Preto o presidente da Associação Brasileira dos Municípios (ABM), Welson Gasparini.
A estratégia será conversar com deputados e senadores na terça-feira e acompanhar, da galeria, a votação da emenda, que está prevista para o dia seguinte. ‘‘Há uma corrente que quer deixar de lado os prefeitos e os governadores, o que é uma imoralidade, é inaceitável’’, afirmou o presidente da Associação Paulista de Municípios (APM), Celso Giglio.
Ele disse que não houve tempo para uma consulta a todos os prefeitos paulistas, uma vez que a votação da emenda foi marcada para quarta-feira. ‘‘A quase totalidade dos consultados defende a reeleição geral’’. Giglio disse que os parlamentares contrários à reeleição de prefeitos pretendem disputar as próximas eleições municipais, e os prefeitos que fizeram boa administração teriam probabilidade de se reeleger.
Quarta-feira às 10 horas os presidentes da ABM, das associações estaduais e regionais de municípios (são 15 apenas no estado de São Paulo) e prefeitos serão recebidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e manifestarão apoio à reeleição geral. A viagem a Brasília tem outros motivos: terça-feira, além da visita a deputados e senadores, os prefeitos vão se reunir, a partir das 14 horas, no auditório Nereu Ramos (Câmara Federal), com os ministros da Previdência Social, da Educação, da Saúde e do Planejamento para fazer reivindicações.
ConcessõesEstá tudo pronto, mas as novas concessões de rádio e televisão deverão esperar a aprovação da emenda da reeleição na Câmara e no Senado para serem anunciadas. Só então, segundo analistas do setor, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, colocará os primeiros 120 editais de licitação na rua. Desde dezembro, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso publicou uma portaria com as novas normas de licitação para radiodifusão, o ministro está juridicamente amparado para divulgar o primeiro lote de editais.
Anunciados para setembro, adiados para outubro e postergados depois para dezembro, os editais para emissoras de rádio e televisão foram atropelados pelas eleições municipais do ano passado. O governo vem evitando confundir a divulgação das concessões com a conjuntura política, principalmente com a reeleição.
‘‘A idéia é evitar a semente da desconfiança no processo’’, disse um técnico do Ministério. A última grande leva de concessões de rádio e televisão ocorreu justamente durante a votação dos cinco anos do mandato do então presidente José Sarney, em 1988, e ficou marcada pela enxurrada de concessões dadas a políticos.

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