Prefeitos vão a Brasília apoiar FHC
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quinta-feira, 23 de janeiro de 1997
Mari Tortato Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaToma-lá-dá-cáAmaral: pressão por recursos
Iniciando pelo Paraná, prefeitos de todo o País organizam uma caravana para ocupar Brasília nos próximos dias 28 e 29. As datas são estratégicas: vão atrás de compromissos do governo por melhor atenção aos problemas das cidades, mas condicionam o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso à garantia de que serão atendidos. O presidente da Associação dos Municípios do Paraná, Luiz do Amaral, estima que 50% dos prefeitos paranaenses vão aderir ao movimento.
No dia 28, os prefeitos querem bater ponto em quatro ministérios, atrás de recursos, e ainda nas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. No dia seguinte, às 10 horas, têm audiência agendada com o presidente FHC, no Palácio do Planalto.
Somos favoráveis à reeleição em todos os níveis e sem plebiscito, mas achamos que esta é a hora de o presidente se sensibilizar pelo municipalismo, e não podemos perder o momento de arrancar isso dele, disse ontem Luiz do Amaral. Acho difícil ele continuar falando em reeleição sem se posicionar sobre o assunto, emendou.
Apesar de a movimentação revelar oportunismo político, Luiz Amaral não admite que a caravana está sendo organizada dentro do jogo do toma-lá-dá-cá. O presidente Fernando Henrique não é um municipalista, e sim um centralizador que tem se mostrado muito insensível com a causa. À frente do governo, tratou de salvar a pele dele, esquecendo dos 5.700 municípios brasileiros, avalia o presidente da AMP.
FHC tratou
de salvar a própria
pele e se esqueceu
dos municípios
O trunfo dos prefeitos para garantir atenção do governo, conforme Luiz do Amaral, é que o presidente não pode esquecer que os prefeitos serão seus cabos eleitorais em 98, se a tese da reeleição passar.
A organização do movimento de viagem a Brasília começou na terça-feira na AMP, com participação de tucanos como o ex-prefeito de Campo Mourão Rubens Bueno. Eles conseguiram fechar uma agenda para o dia 29 - data prevista para a votação da emenda da reeleição - com uma audiência pela manhã com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
O teor da conversa dará o tom para, à tarde, os prefeitos tomarem as galerias da Câmara dos Deputados em favor da reeleição. Mesmo que a votação acabe adiada, Luiz do Amaral diz que o momento será importante para os municipalistas marcarem posição.
Numa situação confortável para reivindicar, por ser ex-prefeito (de Assis Chateaubriand) e estar repassando o cargo ao sucessor em meados de março, Luiz do Amaral diz que espera do governo agora uma efetiva distribuição do bolo.
Não tivemos por parte do governo uma contrapartida quando ele nos tirou 12,4% do Fundo de Participação dos Municípios para jogar no Fundo de Estabilização Fiscal (o fundo de emergência). Ele também condena o fato de o governo estar grampeando mensalmente 12% da parte do PFM dos municípios que devem à Previdência Social. Queremos a rediscussão do assunto, antecipa Luiz do Amaral.


