Faltam 20 minutos para o final da partida em que o Curiúva Futebol Clube vence o Esporte Clube Florestópolis por 2 a 0, no campo de Curiúva. A marcação do segundo gol causa revolta entre a torcida e jogadores do Florestópolis e tem início um bate boca. O que aconteceu em seguida transformou a cobertura da semifinal da Copa Brasil Sul de futebol amador em notícia política e policial.
  No centro da polêmica, os prefeitos dos dois municípios – Márcio Mainardes (PMDB), de Curiúva, que é também auxiliar técnico de seu time; e Nelson Ferreira (PMDB), de Florestópolis.
  ‘‘Quando saiu o segundo gol, nosso time foi reclamar com o bandeirinha porque achou que estava impedido e começou uma confusão. Eu entrei no campo para conversar com o prefeito e pedir calma, mas ele arregaçou a manga e partiu de soco para cima de mim. A partir daí, a torcida entrou na briga e apanhei até não querer mais. Estou vivo graças a Deus’’, relata o prefeito de Florestópolis. ‘‘Eu levei socos em todo o corpo e ainda fui chutado quando caí. Das 38 pessoas da nossa delegação – entre jogadores e torcedores –, só 3 não foram espancadas.’’
  Nelson Ferreira alega também que foi alvo de racismo. ‘‘Vamos matar esse preto fedido’’, ‘‘cale a boca daquele preto na porrada’’, ‘‘seu índio velho’’, teria dito o prefeito de Curiúva. Segundo Nelson Ferreia, o prefeito adversário ainda teria tentado mostrar intimidade com o governador Roberto Requião para intimidá-lo. ‘‘O Requião é meu amigo e usa meu avião’’, teria dito.
  O prefeito Márcio Mainardes afirma que Nelson Ferreira é que causou o problema porque tentou ‘‘cantar de galo na casa do adversário’’.‘‘Ele não conseguiu ganhar na bola e quis levar no grito’’, afirmou.
  De acordo com Mainardes, quando o Curiúva fez o segundo gol, o prefeito de Florestópolis teria invadido o campo e disparado impropérios contra o bandeirinha. ‘‘Eu cheguei nele para tentar apaziguar e ele saiu me xingando, perguntando que porcaria de cidade era a minha, e disse que eu não era homem’’, conta. ‘‘Aí a turma se doeu por mim e foi para cima dele. Eu não relei um dedo no prefeito de Florestópolis.’’
  Márcio Mainardes minimizou as conseqüências da briga. ‘‘Quando acabou, ele saiu andando e dando risada. Sei que foi no hospital daqui e não constataram nada. Se ele alega que foi lesionado, só se for depois que deixou a cidade.’’ Sobre a história do avião, o prefeito questionou: ‘‘Quem contou essa conversa mole’’. ‘‘Eu não tenho avião, são amigos meus que têm, mas nunca emprestei para o governador, só para a Casa Civil’’, explicou.
  O prefeito de Florestópolis enviou cópia da notícia crime que prometeu protocolar hoje contra seu colega de Curiúva, na Procuradoria do Ministério Público, em Curitiba. Ele acusa Márcio Mainardes dos crimes de racismo, formação de quadrilha e tentativa de homicídio e de pagar bebida alcoólica para a torcida com recursos públicos. ‘‘É bom que ele entre mesmo com o processo para a Justiça ver quem está falando a verdade’’, rebate o prefeito Mainardes.
  No próximo domingo acontece a segunda partida entre os dois times para decidir quem passa à final da Copa Brasil Sul, desta vez no campo de Florestópolis.

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