Prefeitos reeleitos chegam a 56,3% no País
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quarta-feira, 13 de outubro de 2004
Wilson Tosta<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Mais da metade dos prefeitos que tentaram se reeleger em 2004 conseguiu um novo mandato no último dia 3 de outubro, de acordo com um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) a partir dos resultados do primeiro turno da eleição. Segundo o levantamento, 56,3% dos prefeitos que tentaram ganhar mais quatro anos de governo tiveram sucesso, o que significou crescimento, em termos proporcionais, em relação a 2000, quando houve apenas 39,4% de reeleitos. Em números, contudo, o órgão constatou que houve diminuição de 2.169 reeleitos há quatro anos para 1.538 este ano.
''Em 2000, primeiro ano da reeleição para prefeitos, todos podiam tentar se reeleger; em 2004, a conta excluiu quem já tinha sido reeleito e não poderia tentar um novo mandato'', explicou o economista e geógrafo François Bremaeker, coordenador técnico do Banco de Dados Municipais da Escola Nacional de Serviços Urbanos do Ibam, autor da pesquisa. Se a comparação for com os 3.389 prefeitos que por lei poderiam tentar um novo período (alguns preferiram não concorrer, embora pudessem, do ponto de vista legal), o porcentual de reeleitos foi de 45,3% em 2004.
Em apenas seis Estados houve queda no porcentual de prefeitos reeleitos na comparação de 2000 com 2004: Minas Gerais (de 36,7% para 36,6%), Paraná (de 40,1% para 36,8%), Rondônia (de 34,6% para 29,4%), Roraima (de 40% para 22,2%), Maranhão (de 47% para 40,8%) e Mato Grosso do Sul (de 40,3% para 39,1%). Nos outros 20 Estados, cresceu a proporção de reeleitos. O cálculo considerou todos os que poderiam tentar a reeleição. Só quatro Estados registraram aumento no número de reeleitos: São Paulo (de 193 para 201), Rio de Janeiro (de 20 para 22), Goiás (de 71 para 75) e Amapá (1 para 3).
Considerando apenas os prefeitos que tentaram a reeleição, o Amazonas foi o Estado com maior proporção de reeleitos: 87,5%. Em segundo lugar, ficou o Rio Grande do Norte, com 71,6%, e em terceiro o Mato Grosso, com 67,6%. No outro extremo, o Estado com menor proporção de reeleitos foi o Amapá, com apenas 23%. ''Se forem levados em consideração apenas os dados relativos àqueles prefeitos que se candidataram à reeleição, verifica-se que a participação relativa daqueles que obtiveram sucesso na empreitada conseguiu superar a média nacional em 14 Estados (Acre, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso), tendo se igualado o porcentual no Estado do Pará'', afirma o estudo.
A região em que ocorreu a maior proporção de prefeitos reeleitos (sobre o número dos que tentaram a reeleição) foi a Sul, com 60%. O Rio Grande do Sul liderou com 62,6% de reeleitos, seguido de Santa Catarina, com 61,6%, e Paraná, com 54,6%. A segunda região com maior proporção de reeleições foi a Nordeste, com 58,9%. Depois, vieram a Centro-Oeste (56,5%), Sudeste (52,5%) e Norte (52,1%).
O cientista político Geraldo Tadeu Moreira, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IBPS) e pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), disse que o aumento na proporção de reeleitos mostra que a reeleição já começa a fazer parte da cultura política brasileira. ''Hoje, um presidente da República, um governador, um prefeito, já trabalha pensando em oito anos de mandato.''


