José Joacir CajuPRESENTE DE GREGOPrefeito José de Azevedo: ‘‘O que fizeram aqui foi desrespeito com a Pátria’’

Dois prefeitos do interior de Mato Grosso do Sul - José de Azevedo, de Glória de Dourados, e Dorcelina de Oliveira Folador, de Mundo Novo, - encontraram uma maneira criativa de protestar contra o estado de abandono dos municípios que passaram a administrar há pouco mais de vinte dias. Azevedo e Dorcelina promoveram, esta semana, uma exposição em praça pública do maquinário público sucateado pelos ex-prefeitos.
‘‘O que fizeram aqui foi uma falta de respeito para com a pátria’’, explica o prefeito de Glória de Dourados, José Azevedo (PMDB), um tabelião aposentado de 59 anos de idade e pai de sete filhos. ‘‘Eles lapidaram o patrimônio do contribuinte, roubando tudo o que foi possível roubar’’, acrescenta a prefeita de Mundo Novo, Dorcelina Folador (PT), uma ex-integrante do MST (Movimento dos Sem-Terra) de 33 anos de idade.
‘Herdar’ prefeituras quebradas, no entanto, não foi um ‘privilégio’ apenas dos prefeitos de Mundo Novo e de Glória de Dourados. As dívidas de curto prazo da Prefeitura da Capital do Estado, por exemplo, ultrapassam a R$ 65 milhões.
O prefeito de Campo Grande, André Puccinelli (PMDB), não encontrou dinheiro em caixa nem para pagar o 13º dos funcionários. Em Dourados, segunda maior cidade do Mato Grosso do Sul, o prefeito Braz Melo (PMDB) enfrenta o mesmo drama do seu colega da Capital. Em Corumbá, na fronteira com a Bolívia, o prefeito Éder Brambila (PSDB) determinou a realização de uma auditoria na Prefeitura para saber o tamanho do prejuízo.
Glória de Dourados fica a 300 km de Campo Grande, tem 10.800 habitantes e é considerado um município modelo no Estado por sua diversificação agropecuária. A média das propriedades rurais é de 100 hectares. Glória é o maior produtor de bicho-da-seda do Estado, possui a mais avançada bacia leiteira, além de ser um próspero município na produção de aves, frutas e suinos.
A arrecadação da Prefeitura gira em torno de R$ 200.000 mensais; 70% estão comprometidos com a folha de pagagamento. ‘‘A Prefeitura tinha 400 funcionários, hoje estamos com 270, mas queremos ter um quadro com 130 servidores, o que é o ideal para um município do tamanho do nosso’’, informa José de Azevedo, que administra Glória de Dourados pela terceira vez.
Eleito vereador por duas vezes, José de Azevedo não se considera um político bom de votos. ‘‘Eu acho que os adversários só me deixam ser eleito quando sabem que o município está falido e eu, por ser pão-duro e por não ser ladrão, sempre consigo colocar as finanças em dia’’, acredita.

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