Brasília - No que deve ser a primeira manifestação de peso no governo Luiz Inácio Lula da Silva, cerca de 2.000 representantes de municípios entre prefeitos, vereadores e secretários de todo o país estão hojeem Brasília com uma idéia fixa: mais dinheiro para os municípios.
Os prefeitos pretendem atacar em várias frentes, mas já têm uma quantia em vista: R$ 118 milhões de restos a pagar do Orçamento de 2001 relativos a contratos para pequenas obras, como a construção de quadras de esportes e projetos de eletrificação, por exemplo.
Os recursos foram suspensos por um decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em dezembro de 2002. Muito embora Lula tenha ratificado a decisão e cortado mais uma parcela relativa ao Orçamento do ano passado, os prefeitos esperam que a pressão leve o presidente a rever sua decisão.
Esta será a 6 Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Nas cinco anteriores, os prefeitos em apenas uma delas tiveram o prazer de ouvir algumas palavras do presidente da República. Desta vez, terão tratamento ''vip''.
Até para amenizar a repercussão sobre o caráter crítico da marcha, o governo do PT praticamente assumiu a condição de parceiro do movimento: oito ministros confirmaram presença nos seminários previstos. Além disso, o próprio Lula vai recebê-los em audiência, num hotel de Brasília.
A marcha também reúne as duas principais congregações de prefeitos do país: a Federação Nacional dos Prefeitos, presidida pelo prefeito de Vitória (ES), o tucano Luiz Paulo Vellozzo Lucas, e a Confederação Nacional dos Municípios, presidida pelo prefeito de Mariana Pimentel (RS), Paulo Ziulkoski (PMDB).
O ''choro'' por mais verbas é maior na Confederação Nacional dos Municípios. Segundo Ziulkoski o governo FHC desrespeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal ao suspender os recursos para obras já contratadas. ''Isso para nós é de uma irresponsabilidade brutal'', disse.

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