Brasilia - Os prefeitos de todo o Brasil que participaram da 13 Marcha a Brasilia deram uma espécie de ultimato aos deputados federais que representam seus estados para se posicionarem - favoramente ou não - nas questões de interesse dos municípios. Eles partiram do pressuposto de que os deputados dependem dos prefeitos para serem eleitos e que as mudanças solicitadas passam de forma obrigatória pelo Congresso.
Os prefeitos elaboram um documento exigindo a obstrução de toda a votação na Câmara dos Deputados até que seja votada a emenda constitucional 29, que divide as responsabilidades entre a União, os estados e municípios na aplicação de recursos para o Sistema Único de Saúde. Esta é uma das principais reivindicações dos municípios.
Os prefeitos de cada estado se reuniram com suas respectivas bancadas em salas separadas na Câmara dos Deputados. Cerca de 15 deputados paranaenses, a metade da bancada, participaram da reunião com os prefeitos. A outra metade estava em outras reuniões ou participava de votações no plenário.
O deputado, para assumir o compromisso, precisava assinar o documento elaborado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Para alguns parlamentares, a exigência dos prefeitos é aceitável por se caracterizar como um ''ato de desespero'' em função da crise que enfrentam as administrações municipais. Estes deputados lembraram que ''as coisas no Congresso só funcionam sob pressão'' e que se os prefeitos querem resultados imediatos, devem agir antes das eleições.
Outros três deputados fizeram questão de afirmar que são favoráveis às reivindicações dos municípios, mas que não iriam de comprometer com os prefeitos na forma exigida pela CNM. No final da reunião, foi formada uma comissão composta por três deputados e três prefeitos para dar andamento aos trabalhos.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Moacyr Fadel, disse que os prefeitos decidiram agir de ''forma radical'' com os deputados. ''A partir de agora, nós vamos colocar os nomes dos deputados na internet para que todos saibam quem está do nosso lado ou não.''
O deputado Ricardo Barros, que faz parte da comissão, disse em entrevista à FOLHA que é favorável aos pedidos dos prefeitos, mas lamentou a forma como o assunto foi conduzido. ''A tese é boa, mas o documento parte do princípio que não se votará nada a partir de agora''. Segundo ele, os deputados precisam de tempo para pressionar seus líderes na Câmara e estes precisam de tempo para pressionar o governo.
À força não
Se no caso da bancada paranaense, apenas três deputados presentes decidiram não assinar o documento naquele momento, o mesmo desfecho não teve as reuniões com representantes de oito estados, inclusive São Paulo, que decidiram não assinar o termo de compromisso porque se sentiram ''emparedados'' com a proposta. Esta decisão revoltou ainda mais os prefeitos. ''Desta vez, ou vai ou racha'', afirmou um deles.

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