Curitiba - Prefeitos de municípios com os maiores mananciais de água do Paraná lançaram ontem a Mobilização para Compensação dos Municípios que atuam no Abastecimento Público. A intenção é reverter em benefícios fiscais e financeiros a proteção dos mananciais e a preservação dos rios e águas subterrâneas de áreas que servem para o abastecimentos de grandes e pequenas metrópoles paranaenses.
O coordenador do movimento é o prefeito de Piraquara Gabriel Samaha (PPS), conhecido como ''Gabão''. A proposta é criar uma legislação (estadual ou federal) que beneficie os estados produtores de água. ''A idéia é simples. Os municípios produtores de energia, por exemplo, os lindeiros da Itaipu Binacional, recebem compensação financeira. Por que isto não ocorre com os produtores de água?'', questionou ele.
Dez municípios da Região Metropolitana de Curitiba seriam responsáveis pela produção de 7,2 mil litros de água por segundo, abastecendo as casas de 3 bilhões de habitantes. Piraquara sozinha produziria 3,2 mil litros de água por segundo. Carambeí e Castro produziriam água para abastecer o município de Ponta Grossa e região. Situação que teria que ser, segundo Gabão, compensada. ''Precisamos de um pacto metropolitano para todas as cidades que abastecem outros municípios. Não é justo que o meu município, que tem 97% do território composto por área de preservação e mananciais, não ganhe nada a mais por abastecer uma capital como Curitiba'', disse o prefeito.
Uma das alegações principais da proposta é que os municípios que têm mananciais não podem ter desenvolvimento industrial ou agrícola por conta das legislações ambientais. Piraquara é o município da Região Metropolitana com o menor orçamento anual (R$ 38 milhões) e atende 100 mil habitantes. ''A idéia é simples e a legislação fácil pelo ponto de vista técnico. Politicamente ainda é difícil termos aprovada esta proposta. A não ser com mobilização popular e pressão político-eleitoral'', ponderou o prefeito.

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