Prefeitos protestam por redistribuição de recursos
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terça-feira, 11 de agosto de 2009
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Cinquenta e oito por cento da arrecadação de impostos ficam com o governo federal. O restante é dividido entre os estados (24,7%) e os 5.565 municípios brasileiros (17,3%). A atual divisão é motivo de queixas de associações de prefeitos. Para marcar posição contra a repartição do bolo tributário, será lançado hoje em Londrina um movimento nacional pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Municípios.
A solenidade será realizada às 10 horas na sede da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar), na rua João XXIII, na Zona Oeste. O encontro deve reunir os prefeitos dos 22 municípios da Amepar e de associações vizinhas. Desse encontro, devem sair medidas práticas para cobrar a aprovação do projeto pelo Senado.
Atualmente, duas PECs que tratam do tema aguardam votação pelos senadores. A primeira é a PEC 50/2004, do senador Osmar Dias (PDT) e a segunda é a PEC 23/2009, criada pela própria Amepar e apresentada pelo senador Alvaro Dias (PSDB).
De acordo com o presidente da Amepar e prefeito de Sabáudia, Almir Batista dos Santos (PDT), a situação dos municípios hoje é grave. Algumas prefeituras não têm mais dinheiro para comprar remédio para o postinho de saúde, não consegue construir uma nova sala ou um banheiro em uma escola.
O problema, segundo ele, é histórico. Desde a Constituição Federal de 1988, a divisão do bolo tributário passou a valer apenas sobre os impostos de renda (IR) e sobre produtos industrializados (IPI). Por outro lado, o governo federal criou contribuições para aumentar a arrecadação. E sobre essa nova fonte não incide a obrigação de partilha entre as três esferas de governo.
Atualmente, a arrecadação de impostos sujeitos à divisão gira em torno de R$ 220 bilhões. Já as contribuições atingem um patamar ainda maior: R$ 350 bilhões.
As PECs em tramitação no Senado têm objetivo de diminuir o que os municípios consideram uma injustiça. A proposta de Osmar Dias reivindica 10% de participação dos municípios em todas as contribuições. Já a elaborada pela Amepar requer que 23,5% do que for arrecadado por meio da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sejam destinados às prefeituras.
A estimativa de Batista é que a PEC da Amepar represente um aumento de 74% no volume de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A de Osmar pode gerar um crescimento de 50%. Números expressivos, uma vez que no ano passado o FPM distribuiu R$ 51 bilhões para as prefeituras. Esse reforço de caixa pode ser considerado essencial principalmente para os 4.002 municípios com menos de 20 mil habitantes, cujo repasse do FPM representa 70% da arrecadação.
O quadro hoje, apresentado pela entidade, é que os municípios ficam apenas com 17,3% da arrecadação em impostos. A aprovação da PEC da Amepar representaria uma transferência de 3% da parte do governo federal para os municípios. Batista garantiu que a PEC 23/2009 será retirada de pauta se a proposta de Osmar for aprovada. Ambas estão na fila para entrar na agenda de votação do Senado.
Outra crítica de Batista é contra a centralização dos recursos pelo governo federal. Hoje, uma das principais formas de obter acesso a esse dinheiro é por meio de projetos específicos. O prefeito de Sabáudia, no entanto, alega que somente os chefes dos Executivos municipais têm profundo conhecimento sobre a realidade de cada município e são os mais indicados para definir quais áreas necessitam de mais investimentos.
Ele defendeu ainda o fechamento de prefeituras como forma de protesto. A medida adotada pela Amepar e pela Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi) no início do ano foi apontada por ele como principal fator que motivou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a anunciar a liberação de R$ 1 bilhão para as prefeituras. Fechar as prefeituras como forma de conscientizar é normal. Os serviços essenciais são mantidos e quando o prefeito toma essa decisão faz isso em nome da população.


