Prefeitos pedem o apoio do governo
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de dezembro de 1996
Carmem Murara<br>Enviada a Faxinal do Céu 
Os prefeitos eleitos querem que o governo do Estado ajude algumas prefeituras a elaborar um plano de demissão voluntária para os funcionários públicos municipais. A sugestão foi apresentada pelos prefeitos durante o seminário que reúne os futuros administradores dos municípios do Estado, até hoje a noite, em Faxinal do Céu - região centro sul do Estado.
A maioria dos prefeitos que assumirá o cargo no dia 1 de janeiro constatou que há excesso de servidores para pouco trabalho. Até mesmo alguns prefeitos do PT, partido favorável a estabilidade do funcionalismo, admitem que vão precisar reestruturar o serviço público.
O prefeito eleito de União da Vitória, Pedro Ilkiv (PT), diz que a atual administração está comprometendo 64,8% da receita municipal com a folha de pagamento dos funcionários. O prefeito acha que o problema não está apenas no excesso de funcionários - 980 ao todo -, mas na quantidade de cargos comissionados que foram criados. Os 70 comissionados absorvem a maioria do dinheiro que vai para os servidores, conta o prefeito.
Em Rebouças, a situação é parecida. O prefeito eleito Luiz Zak (PT) afirma que o município arrecada R$ 170 mil por mês e gasta R$ 120 mil com funcionários. Com certeza, uma das primeiras coisas que vou fazer é readequar os cargos e salários da prefeitura, anuncia o futuro prefeito. Zak vai iniciar o mandato com uma herança que se traduz em dívida. Somente a dívida ativa é de R$ 400 mil e a do Fundo de Previdência do município é de R$ 70 mil.
Aliado ao inchaço da máquina pública, muitos prefeitos vão se deparar com prefeituras falidas. A situação dos municípios de Goioerê, Toledo, Cascavel, Moreira Sales, Nova Cantu, Jesuítas e Roncador é considerada caótica pelos novos prefeitos. Parece que vou encontrar um município falido, prevê o prefeito eleito de Jesuítas, Francisco da Silva (PSDB). Os cerca de 380 funcionários públicos estão com os salários atrasados há cinco meses.
Professor e ex-diretor da escola do município, Silva promete chamar a população para abraçar o prédio da prefeitura nos primeiros dias de administração. Vai ser um marco para mostrar que, a partir de agora, Jesuítas vai mudar, promete. Até agora, o prefeito não conseguiu ter acesso aos documentos da prefeitura, mas ele soube que quase todos os móveis públicos foram vendidos ou leiloados.
O prefeito eleito de Quinta do Sol, na região oeste do Estado, Narciso Cacilha (PMDB), também enfrenta problemas. Vai iniciar a administração tendo que pagar o 13º atrasado e mais os fornecedores.
O prefeito eleito de Realeza, Francisco Dors (PDT), diz que além do 13º salário terá que pagar mais quatro meses de salário atrasado. A prefeitura arrecada por mês cerca de R$ 270 mil e tem uma dívida de R$ 1,3 milhão. A única coisa que tenho a fazer nos primeiros meses de administração é conter as despesas e pagar contas, reclama o prefeito.
Os prefeitos querem ajuda do governo do Estado para financiar programas para a agricultura. Mas eles querem auxílio para o desenvolvimento de projetos que estruturem o poder público. O governador Jaime Lerner garante aos prefeitos que as experiências adotadas no governo vão ser repassadas aos novos prefeitos. As prefeituras têm que se adaptar às mudanças que estão acontecendo em todas as esferas dos governos, aconselhou o governador.


