Prefeitos pedem ajuda para sair da crise
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Folha de LondrinaEm busca de uma luzJaime Lerner (penúltimo à direita) e prefeitos do Noroeste, que pedem socorro ao Estado: Milagres nós não podemos fazerO governador Jaime Lerner disse ontem aos 29 prefeitos da Associação dos Municípios do Noroeste (Amunpar) que não existe condição financeira do Estado ser paternalista. Não podemos fazer o papel do governo federal e cobrir recursos que uma lei federal tira do município, declarou o governador, referindo-se à aprovação em primeiro turno do FEF (Fundo de Estabilização Fiscal), medida que acabou provocando o fechamento de inúmeras prefeituras como sinal de protesto e que traz um prejuízo financeiro calculado em R$ 79 milhões.
Lerner prometeu que vai se empenhar politicamente para convencer os 20 deputados federais do Paraná - avalistas da proposta defendida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso - a encontrarem uma solução que compense a perda. O que nós podemos é ajudar os municípios a resolver os seus problemas, completa o governador, que aproveitou a audiência de ontem para anunciar o sinal verde do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o Programa Caminhos da Educação e Produção (2.500 km em rodovias) .
Além de influência, os prefeitos do Noroeste pediram a Lerner convênios para o fornecimento de mudas do programa do café adensado e a flexibilização das dívidas municipais. O último pedido não deverá ser atendido. Milagres ninguém pode fazer, justifica o governador, lembrando que o seu governo também está sofrendo cortes. A posição do governador é a posição do prefeito. O governo ajuda os municípios trabalhando em conjunto com os programas da nossa administração, reforça.
Mais prático que Lerner foi o chefe da Casa Civil, ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que ficou com a missão espinhosa de preparar durante 40 minutos a vinda do governador e ouvir as reivindicações dos prefeitos, que não se restringiram ao apoio político para a derrubada do FEF. Para escapar do pedido feito pelo prefeito de Nova Londrina, João Fernandes, que sugeriu a dilação de prazos para as contrapartidas do PEDU (Programa Estadual de Desenvolvimento Urbano), Greca foi enfático e disse que a medida, uma vez autorizada pelo governador, comprometeria o andamento do projeto Paraná Urbano.
Os municípios são autônomos e um pouco deste remédio (para a solução dos problemas) deverá ser buscado por vocês mesmos, deixou claro o secretário. Greca chegou a sugerir um plano de demissões para o controle das finanças municipais. O governo acolhe o protesto, mas a independência dos municípios pede a auto-sustentação. Os prefeitos precisam ter coragem para isso, afirmou.
O chefe da Casa Civil disse ainda que há três ingredientes que os prefeitos não podem esquecer e que são fundamentais para se administrar: imaginação, conhecimento e capacidade de investimento. Capacidade de investimento, ninguém de nós tem. Busquem a criatividade e o conhecimento, reforçou Greca, que prometeu viabilizar a criação de um corpo técnico do governo que servirá para dar sugestões criativas aos prefeitos em crise.


