Prefeitos negam participação no esquema
Curitiba - O ex-prefeito de Coronel Vivida Ivanir Francisco Ogliari (PMDB) disse ontem que ficou surpreso quando viu que o seu nome aparecia como um dos beneficiários do esquema. Ele teria recebido R$ 3 mil no dia 15 de agosto de 2003 por ter direcionado uma licitação para compra de uma ambulância em seu município. ''Falei com o meu contador e nunca comprei nenhum produto da Planam. Comprei uma ambulância uma vez de uma empresa de Curitiba. Mas nunca recebi nenhum dinheiro por isto. Todas as aquisições que fiz, prestei contas. Todas minhas contas foram devidamente aprovadas pelo Tribunal de Contas (TC) do Estado. Nunca fiz licitação superfaturada, nem direcionada'', ponderou.
Ogliari argumentou ainda que não se envolvia diretamente nas licitações, já que tinha uma comissão de licitação na Prefeitura Municipal e um Departamento de Compras. ''Pelo que vi nos jornais, eles tinham um esquema muito grande. Só não sei como resolveram me envolver nisto tudo. Não sou candidato a nada, não tenho mais cargo público. Acho tudo isto muito estranho.''
O ex-prefeito de Braganey João Capelletto (PMDB) teria recebido R$ 12,8 mil no dia 28 de fevereiro de 2002 para a compra de um ônibus médico e odontológico devidamente equipado. Capelletto admite a compra do ônibus da empresa Planam, mas nega ter direcionado ou superfaturado a licitação. O ônibus usado teria sido comprado por R$ 59 mil. ''Houve uma licitação normal. Recebi o ônibus direitinho. E não recebi nada a mais por isso. Com certeza absoluta. Lembro bem que a gente estava sem dinheiro na prefeitura e fez tudo certinho para gastar o menos possível'', disse.
O ex-prefeito acredita que está sendo vítima de calúnia. ''Estranho a barbaridade essa denúncia. Sou correto. A verdade virá à tona. Quem não deve, não tem porque pagar. A gente sofre com estas denúncias, mas vamos enfrentar com caráter de homem sério'', discursou. Capelletto tem hoje 73 anos e não quer mais se envolver na política.
Recentemente, a Agência Estado informou que outro parlamentar paranaense, o deputado federal Florisvaldo Fier, o Doutor Rosinha (PT-PR), teria sido procurado por um representante da Planam para tentar fazer com ele entrasse no esquema de venda de ambulâncias e unidades móveis de saúde. A proposta era para que Rosinha apresentasse emendas ao orçamento destinando recursos para a compra de ambulâncias nos municípios. Depois, ele teria que recomendar a Planam para os prefeitos.
A Folha tentou ontem confirmar a história com o parlamentar paranaense, mas não conseguiu. Rosinha que está internado e se recuperando de uma cirurgia teria piorado clinicamente e não poderia atender o telefone. (L.P.)





