Leandro Donatti
De Curitiba
Os prefeitos do Paraná estão com dificuldades para pagar o 13º salário do funcionalismo. O prazo final para o pagamento sem atraso termina no dia 20. Levantamento extra-oficial divulgado ontem pela Associação dos Municípios do Paraná (AMP) revela que dos 399 prefeitos do Paraná, 250 deles – o equivalente a 62,65% – não sabem de onde vão tirar dinheiro para pagar o benefício dos servidores.
O presidente da AMP e prefeito de Iretama, Same Saab (PSDB), disse ontem que a estiagem está agravando a situação. ‘‘Os prefeitos estão queimando as poucas reservas financeiras movimentando máquinas para a construção de bebedouros e de açudes no interior. A seca está inviabilizando os pequenos produtores e isso reflete diretamente nas administrações municipais, que têm de amenizar o problema’’, explicou.
O presidente da AMP acusa o Estado e a União pela situação caótica enfrentada hoje pelos municípios. Segundo ele, os prefeitos carregam hoje um fardo pesado. ‘‘As perdas provocadas pelo Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), por exemplo, chegam a uma folha de pagamento, o 13º que estamos ter de pagar neste final de ano’’, comparou. ‘‘Tem prefeito que está com os salários em atraso, que nem pensam no 13º ainda.’’
Same Saab afirmou que apenas os municípios maiores poderão saldar com tranquilidade a dívida com o funcionalismo público municipal. ‘‘Nessas cidades, como Curitiba, Londrina e Maringá, o volume de receitas próprias (arrecadação) é muito maior se comparado com os municípios pequenos. O Paraná tem hoje cerca de 300 municípios pequenos, com uma média de habitantes entre 10 mil e 20 mil habitantes’’, contabilizou.
Outro dado apontado pela AMP como prejudicial às pequenas cidades envolve os repasses dos governos estadual e federal na área de saúde. ‘‘Os municípios recebem hoje R$ 1,00 por habitante nessa área. Nos municípios pequenos, 99% da população se vale do SUS (Sistema Único de Saúde). Nas cidades maiores, isso não ocorre. Muitos têm plano de saúde, o que representa uma sobra maior das verbas públicas para a aplicação em projeto de melhoria’’, ponderou o prefeito de Iretama.
O presidente da AMP não tem dúvidas que essa dificuldade de caixa, vivida pela maioria esmagadora das prefeituras do Paraná, para pagar o 13º salário, vai ter reflexos eleitorais em 2000. ‘‘O ano que vem é ano de eleição. A reeleição num ano atípico como este será muito difícil. As pessoas não têm noção das reais dificuldades que os prefeitos estão enfrentando no gerenciamento dos municípios’’, assinalou. ‘‘Não paguei ainda o 13º dos 250 servidores públicos de Iretama, município que estou administrando pela segunda vez. Vou honrar o meu compromisso, mas para isso terei de suspender o pagamento com os fornecedores’’, admitiu.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná calcula que diversos outros prefeitos vão ter de fazer opções na hora do pagamento. Same Saab aconselha os políticos a não esconderem o jogo da população. ‘‘Não é vergonha nenhuma admitir que não tem dinheiro para honrar os compromissos com os servidores’’, argumentou.Associação de Municípios diz que problema atinge 62,25% das 399 prefeituras do Estado e a seca está agravando a situação
Arquivo FolhaDIMENSÃOSaab: ‘‘As pessoas não têm noção das reais dificuldades que os prefeitos estão enfrentando no gerenciamento dos municípios’’

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