Prefeitos lotam Brasília e
cobram recursos do governo
Ronaldo Sampaio, prefeito de Terra Alta, pequena cidade a 105 quilômetros de Belém, não tem o hábito de visitar Brasília. ‘‘Cada verba consome ao menos quatro viagens a Brasília e não temos dinheiro para investir nisso’’, justifica. Assim como ele, cerca de 300 prefeitos de todo o País aproveitaram ontem o Congresso Brasileiro de Municípios, realizado na capital federal, para brigar pela liberação de verbas. Todos reclamam da dificuldade de acesso aos recursos públicos e da falta de um canal de comunicação mais aberto para a solução dos problemas e cobram: ‘‘Precisamos de dinheiro.’’
‘‘São recursos para infra-estrutura’’, adiantou Sampaio. O dinheiro, que não soube quantificar, não foi ainda liberado mas já tem destino: será usado para a compra de equipamentos para o manejo da terra. ‘‘Nós não sofremos com a seca, mas precisamos tratar a terra’’, explicou. Terra Alta, conta Sampaio, já foi uma grande produtora de frutas e grãos, posição perdida com os impactos da conjuntura econômica, principalmente a alta dos juros. Segundo ele, as prefeituras nordestinas enfrentam hoje um novo complicador na disputa por recursos: a distância geográfica. ‘‘Os prefeitos da região sul e sudeste estão mais próximos do Planalto’’, disse.
Além de discutir alternativas de captação de recursos para o custeio de obras e mecanismos para contornar a burocracia das instituições financeiras estatais, os prefeitos vão aproveitar a viagem para pressionar suas bases no Congresso Nacional. Querem acelerar a liberação das emendas ao Orçamento do ano passado, cujos recursos permanecem parados nos cofres da Caixa Econômica Federal, e viabilizar convênios que tragam melhorias para suas regiões.
Menos ruidosos que no ano passado, quando vieram à cidade em caravana para protestar contra os efeitos da Lei Kandir, os prefeitos mantêm um discurso crítico ao governo federal, repetindo uma cantilena que já se torna conhecida: querem o mesmo tratamento dado aos governos estaduais. (AE)

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