Cerca de 30 prefeitos, apoiados por empresários e sindicalistas do Sul e Sudeste do Pará, lançaram ontem, em Marabá, um movimento pela criação do Território de Carajás. Eles afirmam que o desenvolvimento das duas regiões só irá deslanchar se o governo federal assumir o controle das ações para resolver conflitos agrários e definir uma política econômica à altura das imensas riquezas minerais e potencialidades agrícolas.
A proposta será levada a Brasília pelos deputados federais Olávio Rocha (PSDB), Giovanni Queiroz (PDT) e Asdrúbal Bentes (PMDB). A idéia de dividir o Pará existe há pelo menos oito anos, mas a vontade de criar os Estados de Carajás e Tapajós foi arquivada na Câmara dos Deputados. Praticamente do tamanho do Estado de São Paulo, o Sul e o Sudeste paraenses ocupam 280 mil quilômetros quadrados, cerca de 17% do Pará, numa das regiões de maior migração de nordestinos de toda a Amazônia. O prefeito de Água Azul do Norte, José Francisco Souza (PMDB), diz-se o maior ‘‘cabo eleitoral’’ da idéia de criação do novo território. ‘‘Goiás e Mato Grosso foram divididos e tudo melhorou por lᒒ, argumenta Souza.
O presidente da Associação dos Municípios do Araguaia e Tocantins (Amat) e prefeito de Redenção, Mário Moreira, também defende o movimento separatista. ‘‘Necessitamos de investimentos que o governo do Pará não tem como fazer; com o território nas mãos do governo federal, o dinheiro virá com maior facilidade e rapidez.’
Segundo o presidente da Associação Comercial de Marabá, André Barbosa, o governo estadual nunca procurou as lideranças das duas regiões para buscar alternativas de desenvolvimento e solução dos problemas. ‘‘Com o Território, ficaremos com maior poder de ação, rompendo a dependência do governo.’ A proposta será detalhada e concluída nos próximos 50 dias para ser apresentada ao Congresso e ao presidente Fernando Henrique Cardoso. (AE)

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