Prefeitos fazem marcha para protestar
Os prefeitos de todo o País devem promover em abril uma grande marcha até Brasília para exigir mais recursos do governo federal. A decisão foi tomada ontem, no terceiro dia do 42º Congresso Estadual de Municípios, em Praia Grande, na Baixada Santista (SP).
Os prefeitos querem renegociar as dívidas com o governo federal e rediscutir o pacto federativo, que hoje, segundo eles, retira recursos dos municípios ao mesmo tempo em que aumenta encargos.
Não houve descentralização ou municipalização, mas uma prefeiturização dos recursos, avalia o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski. Descentralização pressupõe distribuição de poderes, e municipalização quer dizer envolvimento da comunidade, mas o governo federal só tratou de repassar responsabilidades sem os recursos corrrespondentes. Segundo ele, o total da dívida dos municípios de todo o País chega a R$ 12 bilhões e precisa ser resolvida logo. O que está em discussão é o pacto federativo, considera o presidente. Ou a União senta para renegociar o papel de cada um ou não haverá mais pacto federativo.
Essa discussão, porém, tem duas grandes frentes: cerca de 200 prefeitos de capitais e municípios maiores querem rolar as dívidas com o governo federal nas mesmas condições dos Estados, enquanto o restante das mais de 5 mil prefeituras do País lutam para rediscutir antigas dívidas com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). É nesse ponto que as divergências começam. Os grandes municípios, enforcados com dívidas mobiliárias e precatórios, querem uma solução urgente sob o risco de paralisar as máquinas administrativas.
Um caso clássico é o de Campinas, no interior de São Paulo, onde o prefeito Chico Amaral (PPB) acumula uma dívida de R$ 450 milhões. Desse montante, pelo menos R$ 120 milhões são dívidas de precatórios. Preciso de novos empréstimos porque não estou conseguindo um tostão para investimentos, reclama o prefeito. Daqui a pouco, não terei mais dinheiro nem para o pagamento do funcionalismo.
Como saída, os prefeitos de municípios maiores apontam algumas soluções de curto prazo: retomada das operações de receita operacional, que estão suspensas pelo governo, criação de linhas de crédito com juros menores para programas de demissão, reescalonamento das dívidas bancárias e concessão de recursos a juros baixos pelos bancos oficiais. Para os prefeitos menores, no entanto, interessa mais a rediscussão dos débitos com o INSS e FGTS e uma melhor divisão de responsabilidades administrativas com os Estados e a União.
Não se pode confundir as coisas, diz Ziulkoski. Dos 5 mil municípios do País, apenas uns 200 têm dívidas mobiliárias para serem roladas, observa. A grande maioria quer um encontro de contas com o INSS para rediscutir muitas dívidas que também são responsabilidade do governo federal. Os prefeitos querem uma compensação por aqueles funcionários celetistas que ingressaram no serviço público. O município ficou com todos os encargos, mas o INSS não repassou a contribuição que recebeu desses servidores quando estavam no setor privado, explica Ziulkoski.
A solução mais defendida pelos municipalistas é a aprovação pelo Congresso do substitutivo 16/96, que está no Senado e dispõe sobre essa compensação.





