Prefeitos esperam municipalização de ações
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quarta-feira, 13 de novembro de 2002
Marcos Espíndola<br> Reportagem Local 
Em vias de assumir seus respectivos mandatos, o governador Roberto Requião (PMDB) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já caíram nas graças de prefeitos do norte-paranaense. O que os prefeitos esperam das duas administrações é o cumprimento das promessas de municipalização das ações estaduais e federais, bem como um diálogo mais aproximado com os municípios. Ninguém quer ficar de fora, por exemplo, do Programa Fome Zero, lançado por Lula, para combater a pobreza.
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), até pela questão partidária, foi um dos primeiros a articular a participação do seu município no Programa, que pretende aumentar em R$ 2,5 bilhões no próximo ano os gastos no combate à fome no Brasil. Na semana passada ele esteve em Brasília onde, juntamente com prefeitos petistas de todo o País, participou de uma reunião com coordenador da equipe de transição do governo Lula, Antônio Palocci, e o presidente nacional do PT, José Dirceu. Na pauta a utilização das estruturas dos municípios para a execução do programa. ''Este é o princípio da municipalização da gestão pública para garantir a inclusão social e não o custeio da máquina pública'', adiantou Micheleti.
O prefeito de Ibiporã, Reinaldo Gomes Ribeirete (PSDB), espera que os dois novos governos trabalhem pela municipalidade. Do governo Lula, ele espera uma rediscussão dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). ''Da nossa receita, apenas 16% são recursos próprios, o restante vem das parcerias com o Estado e União, além do aporte do FPM'', disse o tucano. Quanto ao governador Requião, Ribeirete espera por investimentos no Hospital Cristo Rei, além da rede ferroviária como alternativa às rodovias pedagiadas.
Os prefeitos não abrem mão de receber investimentos, mas dispensam as ''ajudas carimbadas'', ou seja, pré-determinada pelo Estado ou União. Prevendo uma quadro sombrio para os municípios em virtude de uma possível queda na receita do FPM, o prefeito de Cambé e primeiro-secretário da Associação Nacional dos Municípios, José do Carmo Garcia, aposta na parceria com os futuros governos. ''A única forma de melhorar a receita dos municípios é com a retomada da economia'', alerta.
Há quem espere por ações mais amplas e arrojadas dos futuros governos. ''A prioridade tem que ser a industrialização descentralizada, com opções de geração de renda, capacitação de mão-de-obra, pois não é dando apenas uma diária que se resolverá o problema do povo'', avalia o prefeito de Arapongas, José Aparecido Bisca.


