Prefeitos entregam a Dilma carta contra impeachment
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terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Carla Araújo <br>Agência Estado 
Brasília A presidente Dilma Rousseff se reuniu ontem à tarde com prefeitos, que entregaram à petista uma carta de apoio ao seu mandato e repúdio ao impeachment. Do grupo de 16 prefeitos que assinaram a carta, apenas seis participam do encontro, que conta com a presença dos ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo). Participaram do encontro o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB); de Goiânia, Paulo Garcia (PT); Palmas, Carlos Enrique Franco Amastha (PSB); Macapá, Clécio Luis Vilhena Vieira (sem partido); Campo Grande, Alcides Bernal (PP), e Fortaleza, Roberto Claudio Bezerra (PDT).
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), pré-candidato à reeleição, assinou o manifesto, mas não participou da reunião, pois cumpriu agenda na capital paulista.
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), informou que o documento foi formatado por ele e pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. "Não podemos conviver com a instabilidade política. O reflexo desse período instável é sentido diretamente na sociedade", disse, em nota.
Garcia citou ainda que é preciso acabar com "processos conturbados e manipulados por quem, inclusive, tem processo na Comissão de Ética". A referência foi dirigida ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), responsável por acatar o pedido de impeachment no dia 2 de dezembro.
O documento destaca a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em paralisar o andamento do processo de impeachment e diz que o pedido de afastamento "se inicia eivado de vícios, que denota condução desvirtuada do processo". "A banalização do uso do dispositivo legal do impeachment fragiliza as instituições e atenta contra a democracia. No pedido acolhido pela Presidência da Câmara dos Deputados não há atos ou fatos que respaldem o início de um processo dessa natureza. A peça se apoia em ilações e suposições que tentam sem consistência jurídica imputar responsabilidade à Presidenta da República, como em pedidos rejeitados anteriormente", afirmam os prefeitos no documento.
Depois de reclamações da oposição sobre o fato de a presidente usar o Palácio do Planalto para promover eventos e reuniões para traçar estratégias e se defender do impeachment, Dilma optou, ontem, por trabalhar no Palácio da Alvorada.
Mais cedo, ela recebeu os ministros Helder Barbalho (PMDB-PA), da Secretaria de Portos, e Nelson Barbosa, do Planejamento.
Dilma completou 68 anos ontem e, em meio ao processo de impeachment, manteve uma agenda normal durante o dia. A semana é tida como crucial pelo governo, já que amanhã está previsto o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que deve definir o rito do impeachment. Reservada e de perfil mais tímido, Dilma nunca gostou de comemorar o 14 de dezembro. Na reunião de sua coordenação política, no Palácio Alvorada, cercada por assessores e ministros que ensaiavam cantar o "parabéns a você", Dilma fez questão de pontuar que era melhor não. Os ministros Edinho Silva (Comunicação Social) e Gilberto Occhi (Integração Nacional) entregaram presentes. Edinho deu à presidente o livro "A Casa da Vovó", do jornalista Marcelo Godoy. Occhi chegou com uma caixa da joalheria Swarovski. Disse que sua mulher havia mandado um colar a Dilma.


