Prefeitos encontram municípios em dificuldades financeiras
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de janeiro de 2009
Karla Losse Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Novos prefeitos paranaenses estão enfrentando logo nos primeiros dias de mandato, dificuldades financeiras deixadas pelas administrações anteriores. Em alguns casos, os eleitos alegam que computadores, móveis e até cabos de telefone foram levados da Prefeitura. Outros informam que existe atraso no pagamento dos funcionários e de fornecedores.
Em Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), o prefeito Adel Ruts (PP) decidiu decretar ontem uma moratória das dívidas por 90 dias. De acordo com o assessor jurídico da Prefeitura, Ari Nunes, o montante de dívidas encontrado pela nova administração chega a R$ 7 milhões. Ele informa que o salário de dezembro e o décimo-terceiro salário dos mais de mil servidores não teriam sido pagos. A prefeitura deveria ainda R$ 1,9 milhão a fornecedores, R$ 600 mil a empresa responsável pela limpeza da cidade e mais R$ 600 mil, em convênios para a prestação de serviços como saúde que não teriam sido honrados. A pior dívida, no entanto, seria em precatórios judiciais, que chegam a R$ 3,3 milhões em uma avaliação inicial.
De acordo com Nunes, o montante devido representa dois meses de arrecadação municipal. Ele disse ainda que o prefeito determinou a realização de uma auditoria para verificar a legalidade das dívidas. ''Iremos encaminhar o resultado da auditoria ao Ministério Público para as providências'', afirmou. Procurado pela Reportagem, o ex-prefeito de Rio Branco do Sul, Amauri Johnson não retornou a ligação.
A cidade de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho) vive situação parecida. As dívidas também levaram o prefeito eleito, Dartagnan Calixto Fraiz (PDT), a decretar moratória no último dia 2 de janeiro, apenas um dia depois de ter tomado posse. Ele teria assumido a Prefeitura com dívidas superiores a R$ 2 milhões, que representariam cerca de 13% do orçamento total da cidade previsto para este ano. O ex-prefeito Moacir Ribeiro Lataliza (DEM) não foi localizado.
A situação de Nova Tebas (90 km a sudeste de Campo Mourão) segundo a prefeita da cidade Heloísa Jensen (PRTB) também é crítica. Entre as situações mais complicadas ela cita o estado em que encontrou o hospital municipal, que não tinha cobertas, toalhas, material de higiene e nem mesmo comida para oferecer aos pacientes internados. O pátio da prefeitura também estaria em estado de completo abandono e os carros públicos estariam totalmente sucateados. ''Estamos usando carros particulares para transportar doentes aos municípios vizinhos'', afirmou.
A prefeita diz que ainda não é possível avaliar o montante total das dívidas do município. Ela conta que contratou peritos para realizar uma sindicância e que somente após o resultado do levantamento terá uma ideia do valor real devido. Segundo ela, os salários de todos os funcionários referentes a dezembro estão atrasados e o prefeito anterior, Djalma Ferreira de Aguiar (PT) não teria realizado as recisões dos funcionários comissionados. Ela afirma que pretende realizar o pagamento dos salários atrasados no próximo dia 20, com o dinheiro repassado pelo governo federal do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Outra situação que preocupa a prefeita e para qual ainda não vê solução, é o início do ano letivo. ''As aulas vão iniciar dia 2 de fevereiro e nós não temos ônibus para o transporte escolar.'' O ex-prefeito não foi localizado para comentar as acusações.
Em Campo Magro (Região Metropolitana de Curitiba), o novo prefeito, José Pase (PMN) acusa o antecessor de ter deixado uma dívida de R$ 5 milhões. ''Só em salários atrasados o município deve R$ 800 mil'', diz. Os servidores estão sem receber desde dezembro e pagamentos de fornecedores também estão atrasados.
Pase credita ao ex-prefeito o sumiço de equipamentos da prefeitura. ''Estou fazendo um levantamento do patrimônio para determinar o que está faltando'', diz. Segundo um parente do ex-prefeito, Rilton Boza (PMDB), que não quis se identificar, o político não é visto na cidade há dias. ''Nem para repassar o cargo ele apareceu'', conta Pase. A reportagem não encontrou Boza. (Colaborou Rosiane Correia de Freitas)


