O PFL abriu dissidência no PDT. Em dois meses de campanha, o partido do governador Jaime Lerner conseguiu apoios declarados de prefeitos do PDT eleitos em 96 e que deveriam, pela orientação do partido, apoiar a candidatura do senador Roberto Requião (PMDB). Os prefeitos Onir Braghini (Matelândia), Siegfried ‘‘Zico’’ Boving (Pinhais), e Rogério Pasquetti (Céu Azul) trabalharam para colocar em prática a ação ‘lernerista’. Eles reuniram anteontem à noite, num restaurante em Curitiba, a maioria dos prefeitos do partido que declarou apoio a Lerner. O governador disse ontem que detém 58 dos 61 prefeitos.
Os 12 anos de filiação de Lerner no PDT facilitaram a adesão. Muitos prefeitos não acompanharam o governador na debandada para o PFL, em setembro de 97, mas continuaram comungando das mesmas opiniões. ‘‘Nós fizemos o PDT. O que está ocorrendo é que gente de fora está entrando de assalto e se arvorando para cassar apoios internos’’, declarou Lerner. O prefeito de Matelândia, Onir Braghini, reforça a tese do governador e diz que boa parte das lideranças avisou, desde a formação das chapas, que não iria obedecer a aliança firmada entre o PDT, o PT e o PMDB de Requião.
A postura adotada pelo prefeito de Londrina, Antonio Belinati, é um exemplo do ceticismo pedetista diante da coligação PDT-PT-PMDB. Belinati compareceu no jantar. Aliado de Lerner desde início dos anos 80, o marido da vice-governadora Emília Belinati (PTB) disse que ‘‘todos os municípios estão evoluindo no governo Lerner e é natural que os prefeitos batalhem para que essa evolução não seja interrompida’’. Belinati foi um dos primeiros prefeitos do PDT a oficializar que não apoiaria a candidatura de Requião ao Palácio Iguaçu.
A direção estadual do PDT tenta estancar a infidelidade. Três diretórios municipais - Saudade do Iguaçu, São Jorge do Oeste e Marmeleiro - foram dissolvidos. A cúpula pedetista promete cancelar o registro das gestões junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná e promover recadastramento dos filiados. O presidente estadual e candidato a vice-governador na chapa de Requião, Nelton Friedrich, criticou ontem o empenho dos prefeitos pedetistas em ampliar as adesões pró-Lerner. ‘‘O banquete da traição teve a infidelidade partidária como aperitivo, a bajulação e o servilismo como sobremesa’’, protestou. Friedrich admitiu que o PDT vive um momento de ‘‘indisciplina’’ interna.
O presidente do diretório municipal do PDT de Matelândia, Glademir Reolon, questionou a postura do prefeito da cidade e dos demais prefeitos ‘lerneristas’, que podem ser punidos com a expulsão depois de outubro. ‘‘Onir Braghini aderiu à reeleição do governador sem consultar as bases de seu município’’, afirmou. ‘‘O descontentamento com esta atitude unilateral é grande entre os pedetistas e pode levar o partido a distanciar-se de sua liderança política’’, adverte o dirigente.
O coordenador político da campanha do governador, o ex-chefe da Casa Civil Cândido Martins de Oliveira, disse ontem que a idéia do apoio dos prefeitos pedetistas veio do próprio PDT. ‘‘É uma adesão bem-vinda’’, considerou. Para o coordenador, o jantar foi um ‘‘reconhecimento’’ pela ação do governo Lerner no interior. ‘‘Não importa o partido político, todos os prefeitos do Paraná são recebidos no Palácio. Ao contrário do tratamento que eles recebiam na administração do nosso adversário, neste governo todos são tratados igualmente’’, provocou.

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