A defesa do deputado federal André Vargas (sem partido) arrolou três políticos paranaenses como testemunhas no processo sobre suposta quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Segundo a assessoria de imprensa do relator do caso, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), foram indicados os prefeitos de Apucarana (Norte), Beto Preto (PT), e de Alvorada do Sul (Região Metropolitana de Londrina), João Carlos Perez (PDT), além do deputado estadual Enio Verri, presidente do PT no Paraná. O doleiro Alberto Youssef, preso na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, também foi relacionado. Ao todo, são oito testemunhas, todas do Paraná.
Delgado afirmou que as primeiras oitivas devem ser realizadas nos dias 17 e 18 de junho, em Brasília, quando serão ouvidas as testemunhas elencadas pela acusação. Tanto as testemunhas da relatoria quanto da defesa não tem a obrigação de comparecer. Neste caso, o regimento manda que seja feito novo convite e, se houver nova recusa, o relatório final deverá ser finalizado sem todas as oitivas.
Conforme Delgado, os depoimentos devem estar concluídos até o final do mês e o caso levado para votação em plenário antes do recesso parlamentar, apesar do "trabalho protelatório da defesa". O relator se refere ao recurso dos advogados que pediram a suspensão do processo até que o Supremo Tribunal Federal (STF) se pronuncie a respeito da apuração sobre o envolvimento de Vargas com Youssef. "Essa questão já foi resolvida. Dos 21 deputados que compõem o conselho, os 13 que estavam presentes no dia dessa discussão votaram pela continuidade. O Conselho de Ética não tem que aguardar o STF", alegou.
Delgado disse que, após a instauração do processo, teve um encontro casual com Vargas no plenário. "Conversamos rapidamente, deixei claro que não há nada pessoal contra ele." Para o deputado mineiro, até mesmo o pedido da vaga de Vargas pelo PT aparenta ser uma estratégia de salvamento do parlamentar. "Se o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassar-lhe o mandato, o processo no conselho perde o objeto." Caso seja cassado pelo conselho ou renuncie para escapar de eventual cassação, Vargas é enquadrado na Lei da Ficha Limpa e fica inelegível por oito anos. (E.F.)

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