Prefeitos devem ser austeros, defende AMP
Os prefeitos que tomaram posse este mês nos 399 municípios do Paraná terão que adotar uma postura mais austera para negociar com os governos estadual e federal caso não queiram agravar ainda mais a situação financeira em suas cidades. O alerta é do presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Sérgio Steptjuk (PSDB), ex-prefeito de General Carneiro (sul do Estado).
Matéria publicada pela Folha no domingo revela que os municípios paranaenses têm, juntos, pelo menos R$ 1,6 bilhão em dívidas oficialmente contabilizadas, conforme dados do Banco Central (BC). O número se refere apenas aos débitos contraídos junto ao Tesouro Nacional e a instituições financeiras.
Os prefeitos têm que entender que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) os colocaram em outro patamar. Se não endurecerem nas negociações de recursos com Estado e União, vão amargar dívidas cada vez maiores, declarou. De acordo com o deputado federal Gustavo Fruet (PMDB-PR), membro da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, 75% dos municípios brasileiros dependem basicamente de recursos da União e dos Estados.
Steptjuk diz que muitas administrações acabam assumindo responsabilidades que não são de competência municipal. Como nenhum prefeito quer deixar a população sem segurança, acaba arcando com custos para manter delegacias, enchendo o tanque das viaturas ou coisas desse tipo. Só que essas despesas devem ser pagas pelo governo estadual, exemplifica. Ele frisa que não há mais espaço para esse tipo de comportamento, e que os gastos terão que ser rigorosamente controlados.
Segundo Steptjuk, o tamanho das dívidas que na maioria dos casos vem se acumulando há décadas pegou muitos prefeitos de surpresa. Boa parte acreditava que encontraria as contas em dia e tomou um susto quando recebeu os números.
O presidente da AMP diz que deveria ter sido previsto um período de adaptação para que os administradores públicos se acostumassem à Lei Fiscal, aprovada em maio de 2000. A lei é severa e, como não houve tempo para adaptações, a mudança na atuação dos prefeitos tem que ser rápida e eficiente. A nova legislação não vai corrigir do dia para a noite distorções e rombos que se arrastam há anos.
Para evitar que os prefeitos justifiquem deslizes nas contas com desinformação, a AMP vai orientá-los durante o Congresso dos Novos Prefeitos, que acontece nos dias 6 e 7 de fevereiro, em Curitiba. Steptjuk também vai se reunir com cerca de 100 prefeitos que tiveram perdas no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), por conta da redução populacional. O desconto acontece de forma gradual durante cinco anos, período que a AMP considera pequeno.
Um projeto do senador Osmar Dias (PSDB) prevê aumento para dez anos, o que consideramos mais justo, por causar impacto mais diluído nas contas, comenta o dirigente. O projeto está em tramitação no Congresso Nacional e ainda depende de aprovação. Ele não descarta uma viagem dos prefeitos a Brasília como forma de pressionar a aprovação da matéria.





